Matéria publicada na capa do Segundo Caderno do Jornal O Fluminense, sábado, 10 de setembro de 2011
A mudança das marés, de onde vêm os raios ou como as pessoas se apaixonam, fenômenos cotidianos para nós mas sobre os quais os antigos criaram uma série de lendas para tentar compreendê-los Os deuses do Olimpo e outros seres são os protagonistas dessas histórias e agora eles chegam ao Teatro Municipal de Niterói mais humanos e brasileiros do que nunca, na adaptação teatral da Mitologia Grega na comédia Deuses do Olimpo – À Nossa Imagem e Semelhança.
A mitologia grega exerce grande influência na civilização ocidental. Foram os gregos que criaram as bases do que hoje se conhece das ciências, tanto exatas, como Física e Matemática, quanto as humanas, como Filosofia e Política.
Além da iniciativa de registrar suas lendas de forma escrita pela primeira vez com os poemas épicos, a Ilíada e a Odisseia, e da consolidação das artes plásticas e da invenção do próprio teatro.
Eleusa Mancini, que montou a concepção artística e também atua no espetáculo, explica que as histórias dos Deuses do Olimpo possuem um caráter universal, pois a base das tramas são experiências muito próximas da realidade dos mortais, são questões familiares, disputas por poder e traições.
“Esses deuses, na verdade, foram criados pelo homem, ele sim os criou à sua imagem e semelhança. Os deuses têm características humanas. O que acontece na Terra, acontece no Olimpo, por exemplo, Zeus é casado, mas é um adúltero e tem filhos bastardos e
Hera tem atitudes de uma mulher ciumenta”, explica Eleusa.
No texto, cada um dos 12 principais Deuses do Olimpo tem sua história contada de maneira diferente e inovadora. Por exemplo, Zeus, o governante do Olimpo e deus das tempestades e dos raios, tem seu mito contado como um programa policial sensacionalista da televisão. Poseidon, o deus dos mares, segue o estilo do stand-up comedy. Deméter, deusa da fertilidade e agricultura, é um melodrama, parecido com as
antigas radionovelas. Já Cupido, deus do amor, é marcada por um teatro mais convencional, com uma trama repleta de conflitos e romance. Mesmo com passagens dramáticas, a peça continua cômica.
“E uma comédia sim, mas sobram outros sentimentos, o sofrimento de um personagem,
as relações entre irmãos e entre o casal,“ comenta Eleusa Mancini.
Inovador desde a concepção
O diretor da peça, Marcos Ácher, teve a ideia de abrir a possibilidade de cada ator escolher como gostaria de contar determinada história.
“A atriz que interpreta Afrodite, por exemplo, nunca tinha trabalhado com a linguagem
do musical e trouxe isso para o espetáculo”, conta Eleusa.
A única alteração feita na adaptação do espetáculo foi a substituição do olimpiano Hefesto, deus da metalurgia, tecnologia e dos vulcões por Cupido.
“Escolhemos contar a história de Cupido porque é um mito muito conhecido e bonito para explorarmos o romance no espetáculo. Na verdade, a história é de Cupido e Psiquê, importante não só para a literatura, mas também para a Psicologia”, explica
Eleusa.
Ao todo são cinco atores se revezando em cena e na narração da história. A adaptação
teatral traz as histórias da mitologia grega para os dias atuais de forma inteligente e divertida.
“São emoções humanas transportadas para o Olimpo, e agora transportadas de volta
para a Terra, para o Brasil”, conta Eleusa Mancini.
Para acompanhar o que o narrador descreve, os atores se transformam em outros personagens, objetos e até elementos da natureza para acompanhar o que é descrito. O texto integra teatro narrativo, música, vídeo e até pantomima, uma linguagem teatral praticamente sem palavras baseada em gestos e em mímicas.
A intenção da companhia é trazer o espetáculo de volta para Niterói em 2012, mas em novembro, será apresentada no Teatro Municipal de Niterói uma versão infantil do espetáculo chamado Mitologias: histórias e aventuras em parceria com a Oficina de Dança Clarice Maia. A proposta é fazer unir o teatro e a dança com crianças representando o papel dos Deuses do Olimpo.
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