sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Professores da Universidade Federal Fluminense querem manter missões na Antártica

Estação Antártica. Foto: Divulgação 

O momento ainda é de pesar pelos dois militares mortos: o suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos e pelos 70% das dependências da Estação Antártica Comandante Ferraz que foram destruídos em um incêndio no dia 25 de fevereiro. Apesar da dor, os professores da Universidade Federal Fluminense (UFF) já pensam em como as próximas missões no continente gelado serão realizadas.

“Ainda não tenho informações sobre o equipamento, mas com os e-mails trocados parece que o equipamento estava todo na estação. Eu estou dando ele como perdido. Mas ainda não temos notícias da perícia de lá”, explicou a professora do Departamento de Geografia da UFF de Campos dos Goytacazes, Rosemary Vieira. O equipamento usado pelos pesquisadores estava orçado em cerca de 60 mil dólares, aproximadamente R$ 102 mil.

Mesmo sem trabalhar dentro da Estação Antártica Comandante Ferraz a equipe se sentia mais segura com o respaldo dado por ela. “O acidente na estação vai ser representativo para futuros acampamentos. O programa Antártico Brasileiro não se resumia apenas à Estação. Vai ser um prejuízo muito grande, mas o programa não para”, disse a professora Rosemary Vieira.

A profissional do ensino afirma ainda que está preparando um acampamento para 2013 e pretende realizar algumas parcerias com navios e estações de outros países. “Começar o ano assim é uma bomba. Mas vamos tentar fazer parcerias, principalmente com os chilenos para tentar não atrasar as pesquisas”.

A professora Rosemary Vieira acredita ainda que até o final de abril haja uma definição sobre o equipamento e a organização das próximas missões.

Os pesquisadores da UFF faziam acampamentos na Ilha Rei George para monitorar geleiras e calcular o seu recuo por causa do aumento da temperatura na região e também monitorava a quantidade de sedimentos, de partículas de terra, que chegavam ao ambiente marinho por causa do derretimento das geleiras.

Professor da UFF aposta na continuidade das pesquisas- Os professores integram o Projeto Criosfera, uma equipe multidisciplinar composta por pesquisadores de várias universidades do Brasil e de outros países, inclusive do Instituto Antártico Chileno.

O pesquisador Guilherme Fernandez, professor do Departamento de Geografia da UFF de Niterói, está muito esperançoso quanto às próximas missões na Antártida. “A esperança é que os trabalhos continuem nos próximos anos. Eu vejo com bons olhos essa possibilidade de parcerias com outras estações”.

Segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim, o planejamento da nova estação Antártica do Brasil deve ser totalmente refeito em dois anos. O desenvolvimento de programas científicos é responsabilidade do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e a manutenção logística das operações do Comando da Marinha.

Matéria publicada em 04 de março de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.

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