Uma parceria entre a Diretoria de Informações da Cidade (DIC) com o Programa Rio+Social aumentou em quase cinco vezes a malha de ruas, escadarias, becos e vielas identificadas em comunidades pacificadas no Rio de Janeiro. O trabalho, que se chama Mapeamento de Logradouros, é um dos carros-chefe do Instituto Pereira Passos (IPP). A ação é uma iniciativa da DIC, que ganhou o apoio dos agentes de campo do Rio+Social para realização da checagem in loco, tornando o processo de inclusão destas áreas nos mapas oficiais da cidade mais fiel à realidade.
A DIC tem especial interesse no mapeamento de favelas e apoia iniciativas nessa área. Um exemplo disso é o Guia de Ruas da Maré, uma ação da ONG Redes de Desenvolvimento da Maré que contou com colaboração da diretoria. Neste território foi feito um trabalho de mapeamento pela ONG com uso da base de logradouros e ortofotos (conjunto de fotografias aéreas ortorretificadas, isto é, corrigidas de forma a eliminar as distorções, realizadas em sobrevoos) da cidade, produzidas pelo IPP em 2011, muito antes da ocupação do Exercito para fins do processo de pacificação. A revisão dessa base chegou ao instituto no final de 2014 e já está incorporada ao Cadastro Único de Logradouros.
A ONG fez a capacitação dos agentes de campo dos territórios pacificados até 2012, quando as comunidades pacificadas tinham pouco mais de 77 km (77.147 m) de vias mapeadas. Posteriormente, a ação ficou a cargo da Gerência de Estudos Habitacionais da DIC. Hoje, segundo dados de março de 2015, o total já ultrapassa os 376 km (376.802 m) de malha: um avanço de quase 300 km identificados.
O desafio do projeto é incluir no mapa não só a visualização dos logradouros existentes nas 1.023 comunidades da cidade, mas também a sua identificação e demais informações cartográficas.
“Para fazer o mapeamento utilizamos diversas fontes de informação, como bases de logradouros do IBGE, levantamentos topográficos realizados em favelas, restituições cartográficas e ortofotos realizadas em sobrevoos da cidade”, explica o geógrafo da DIC, Leandro Souza. “Nos locais onde há Unidades de Polícia Pacificadora contamos com o apoio das equipes de campo do Rio+Social para a revisão dos traçados e identificação dos nomes”, conta.
O trabalho começa na área de Geoprocessamento, que prepara os mapas base já com as informações primárias obtidas nos levantamentos topográficos e cartográficos realizados pela Prefeitura, bases do IBGE e demais informações compiladas pela DIC. Percorrendo as ruas das comunidades com estes mapas nas mãos, os agentes do Rio+Social, que são moradores das áreas, conseguem marcar os logradouros e outras informações não registradas.
Os desenhos são feitos a mão sobre um papel vegetal preso ao mapa-base. Os agentes de campo conferem as informações assinaladas e agregam novos dados, como o tipo de logradouro encontrado.
“Sem CEP, os moradores têm muita dificuldade em receber correspondências bancárias, como cartões, talões de cheques e encomendas feitas pela internet. Por isso, o trabalho de mapeamento foi muito bem recebido. A experiência foi muito bacana, eles receberam o trabalho de braços abertos”, comenta Beatriz Fartes, gestora da equipe de agentes do Programa Rio+Social que atua nos territórios Cerro-Corá e Escondidinhos/Prazeres.
Finalizado o trabalho de rua, as informações são trazidas de volta ao IPP para serem inseridas nas bases geográficas da DIC (veja ao lado o “antes” e o “depois” no Pavão-Pavãozinho/Cantagalo). Os dados vão para o Cadastro Único de Logradouros, ganhando sua representação gráfica e dados, como extensão e referências sobre a relação com os logradouros do entorno.
O próximo passo é o Reconhecimento de Logradouros, uma atribuição da Secretaria Municipal de Urbanismo (SMU). O nome das ruas é definido pela Comissão Carioca de Nominação de Logradouros e Equipamentos Públicos, mas a oficialização de sua existência, a confecção de placas de identificação e a conquista de um CEP só ocorrem após publicação de Decreto no Diário Oficial do Município.
A inserção de nomes e da localização dos logradouros na base facilita a vida dos moradores, mas também ajuda a própria Prefeitura.
“As ruas identificadas são acrescentadas ao Mapa Digital da cidade do Rio de Janeiro ficando disponíveis para todas as secretarias municipais e outros órgãos públicos, além de qualquer cidadão”, explica Leandro, destacando que o mapeamento possibilita a melhoria da prestação de serviços públicos, como o 1746. “Colocar esta áreas nos mapas também contribui para uma melhor análise para implantação e manutenção de infraestrutura de serviços, definição de sinalização de rotas para situações de risco e emergências e regularização fundiária e urbanística”.
As informações das ruas e vias que foram mapeadas com ajuda da equipe do Rio+Social estão em fase de cadastramento na base de dados do IPP e poderão, em breve, ser consultadas pelo Mapa Digital da Cidade do Rio de Janeiro e em todos os aplicativos do Portal Geo.
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