A greve dos professores e servidores do Colégio Pedro II está perto de completar dois meses e os alunos da unidade do Barreto, em Niterói, começam a se preocupar com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que será realizado nos dias 3 e 4 de novembro.
Para minimizar os efeitos da paralisação, ex-alunos da instituição estão ministrando aulões para os estudantes, principalmente aqueles que estão no terceiro ano do 2º grau.
“Claro que estamos preocupados com o Enem, mas a situação do ensino é grave”, pondera a estudante Juliana Costa, de 17 anos, aluna do terceiro ano do 2º grau, que é também membro do Grêmio Estudantil da unidade Niterói do Colégio Pedro II.
Juliana pretende fazer vestibular para Ciências Sociais e quando não está envolvida nas atividades do grêmio, estuda em casa para se preparar para as provas. As aulas ministradas pelos ex-alunos são das mais variadas disciplinas e são realizadas de acordo com a disponibilidade dos estudantes.
Segundo Selmo Nascimento, coordenador geral do Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II, quando o movimento grevista terminar será buscado um acordo com a direção da unidade para definir um calendário de reposição das aulas.
Na próxima sexta-feira está marcada uma nova assembleia dos servidores, no Teatro Mário Lago, dentro do complexo de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio.
“Historicamente sempre houve reposições, nunca tivemos um ano letivo perdido por conta de greves”, afirma Nascimento.
As datas do vestibular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) estão mantidas e a próxima prova, referente ao segundo exame qualificativo acontecerá no dia 16 de setembro.
Ação – O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro entrou com Ação Civil Pública contra o Colégio Pedro II, a Associação de Docentes e o Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II, com pedido de liminar para que as aulas retornem imediatamente em todas as unidades de ensino e as matérias perdidas sejam repostas até o fim do ano, sob pena de multa diária de R$ 1 mil.
Na ação, proposta pela procuradora da República Márcia Morgado, o MPF alega que a direção do Colégio Pedro II, em conjunto com os professores, deveria ter criado mecanismos para que as aulas fossem ministradas em sistema de rodízio ou qualquer outro meio em que o direito de greve não violasse o direito à educação de crianças e adolescentes.
Matéria publicada em 16 de agosto de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.
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