domingo, 14 de outubro de 2012

Camelôs são retirados para reabertura de rua no Centro


O Centro de Niterói está de cara nova. O trecho da Rua Visconde de Uruguai entre as vias Marechal Deodoro e São João deixou de ser ocupado por camelôs na manhã da última segunda-feira. Os trabalhadores informais foram deslocados para a calçada da Rua São João e a previsão da Secretaria de Segurança e Controle Urbano é que até a próxima quinta-feira as obras no trecho comecem. O projeto de reordenamento do Centro de Niterói está previsto para durar quatro meses e ter três etapas entre desocupação das áreas, reformas e instalação das novas bancas para atividade dos ambulantes.

A ideia da secretaria é que até a próxima quinta-feira se iniciem as obras do primeiro trecho da Rua Visconde de Uruguai, da Marechal Deodoro à São João, com previsão de duração de 20 a 30 dias. A segunda etapa, que vai levar as reformas da Visconde de Uruguai, na Rua São João, até a Avenida Amaral Peixoto, vai começar quando a atual etapa estiver completa e deve levar dois meses. A última etapa consiste em implantar as bancas em que os trabalhadores informais vão atuar, no quarteirão da Rua São Paulo com Rua Visconde de Uruguai e Visconde de Itaboraí e no quarteirão da Rua Coronel Gomes Machado, com as mesmas vias.

“Estamos atendendo a uma expectativa grande, a gente vai resgatar o poder do Centro da Cidade. E isso vai da melhora da distribuição dos ambulantes à melhora da mobilidade no trânsito de veículos e pedestres na área. Isso vai ser um grande benefício para o Centro”, comenta o secretário de Segurança e Controle Urbano, Ruy França. 

Só depois das reformas concluídas é que a NitTrans vai divulgar o novo esquema do trânsito na região.

“A cidade merecia desobstruir a Visconde de Uruguai, dizem que é provisório, eu espero que seja. Como não é uma coisa para um e para outro, é para todos nós, eu acho justo. Eu sou idoso, o que eu ganho de aposentadoria não paga nem os meus remédios. Eu preciso trabalhar”, comenta o trabalhador informal Idemir Nunes Ribeiro, de 76 anos.

O Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) de Niterói vê com bons olhos o projeto da abertura da via e realocação dos trabalhadores informais. “É um projeto importante. A abertura da Visconde de Uruguai é um pedido antigo nosso para melhorar o trânsito e a circulação de pessoas em nossas lojas. O Sindilojas tem participado de uma série de reuniões com as secretarias de Controle Urbano e de Urbanismo sobre esse projeto”, informa o presidente do Sindilojas, José Luiz Pascoal.

Descontentamento – Mas nem todos acreditam que a mudança vai melhorar o trânsito ou o comércio na área. Lojistas da área que foi desocupada pelos ambulantes, da Rua Visconde de Uruguai entre as vias Marechal Deodoro e São João, estão preocupados com a circulação de pessoas. Segundo eles, nesse primeiro dia da mudança o movimento de clientes caiu em média 30%.

“Vai ficar ruim para os lojistas daqui. A loja é do meu pai, ele está aqui há 29 anos e hoje o movimento já foi mais fraco. Nós vamos observar como vai ser o resto da semana, se continuar assim, vamos nos reunir e procurar a CDL e a Prefeitura de Niterói”, afirma Leandro Menezes, lojista de 29 anos.

Porém a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) não concorda com essa visão. “Esse projeto vai ser uma grande solução para a cidade. Sem os camelôs as vitrines serão melhor vistas, vai haver um novo fluxo de pessoas e os motoristas que vão passar por aí podem ser atraídos a consumir. Eu acredito que o movimento ali vai melhorar. Os lojistas vão ter que se readequar a esse novo público”, afirma o presidente da CDL, Fabiano Gonçalves.

O novo local de atuação, a calçada da Rua São João, próximo à praça, também desagrada parte dos trabalhadores informais.

“É um lugar ruim, não tem movimento aqui. A secretaria disse que ia ser temporário, vamos esperar. Depois vai ter esses quiosques padronizados para o ambulante. Mas esse projeto devia ter sido melhor discutido com o trabalhador”, afirma o presidente da Associação Niteroiense de Ambulantes Portadores de Deficiência, Laércio Silva.

Matéria publicada em 05 de junho de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.

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