Itaboraí comemora nesta terça-feira, seus 179 anos de emancipação de olho no futuro. A cidade está na 66ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), entre os 92 municípios fluminenses, e possui um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 1,7 bilhão. Por conta do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e das indústrias que irão se instalar na região a previsão é que o PIB se eleve 10 vezes, levando Itaboraí para o segundo lugar no Estado, atrás apenas da capital.
A cidade-sede do Comperj se prepara dar um salto econômico e social. Para os próximos 10 anos, a expectativa do município é que a população saia de 218 mil, segundo dados levantados pelo último censo do IBGE, para 1 milhão de habitantes.
História - O município de Itaboraí resulta da fusão de três vilas. A maior delas, a de Santo Antônio de Sá, foi a segunda em formação do Rio de Janeiro, no recôncavo da Guanabara. A segunda foi a A Vila de São João de Itaboraí, inicialmente uma parada de tropeiros, e a terceira foi a Vila de São José Del Rey, uma importante missão jesuíta, criada no território dos índios Tamoios.
Em 18 de janeiro de 1696, houve a elevação do povoado à freguesia e, em 15 de janeiro de 1833, um decreto imperial criou o município. A data da instalação da Câmara Municipal, em 22 de maio daquele ano, ficou para a história como marco da emancipação municipal.
Um ano antes, em 1832, o naturalista britânico Charles Darwin, conhecido por apresentar a Teoria da Evolução das Espécies, fez um roteiro pelo interior fluminense e passou pela futura cidade de Itaboraí.
Cidade movida a petróleo
O Comperj vai mudar o panorama não só de Itaboraí, mas de toda a região Leste Fluminense. Situado em uma área de 45 quilômetros quadrados do município, o empreendimento é o maior investimento da história da Petrobras e o maior na área industrial em andamento no país.
O complexo petroquímico terá duas refinarias, cada uma vai processar 165 mil barris/dia de diesel, gasolina, querosene de aviação e gás liquefeito de petróleo, e uma central petroquímica. Haverá ainda uma Central de Utilidades (UTIL) responsável pelo fornecimento de água, vapor e energia elétrica para a operação de todo o complexo.
Segundo expectativas da Petrobras, o Comperj deve gerar um faturamento anual em torno de US$ 5,8 bilhões. O polo deve ser totalmente concluído em 2018 e tem capacidade prevista para processar 330 mil barris de petróleo por dia.
Além das refinarias em Itaboraí, o município de São Gonçalo terá instalada uma central de Escoamento de Produtos Líquidos do complexo e o Centro de Integração do Comperj, já inaugurado.
Segundo a Petrobras atualmente cerca de 15 mil operários trabalham na construção do polo. No pico das obras a previsão é que mais de 25 mil pessoas trabalhem para erguer o complexo. Espera-se que esses trabalhadores sejam absorvidos no mercado local após as obras. O polo deve gerar entre empregos diretos, indiretos, e efeito renda, 200 mil postos de trabalho.
Capacitação profissional: mais de 5 mil vagas abertas
Mais de 5 mil vagas de capacitação foram abertas para atender à demanda direta e indireta do Comperj. Um Centro de Inclusão Produtiva de Alimentos (Cipa) está formando mulheres de Itambi na área de gastronomia e cursos de petróleo e gás são oferecidos a jovens inscritos no Programa Bolsa Família.
Para a capacitação há ainda o Centro Vocacional Tecnológico (CVT), parte da rede Faetec, uma parceria com o Governo do Estado, e está prevista a construção de uma unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFRJ).
Já Sistema Nacional de Emprego (Sine) atende de 200 a 300 pessoas diariamente para encaminhamento profissional em todas as áreas.
“Recebemos muitos trabalhadores, mas ainda existe escassez de mão de obra especializada, principalmente na área da construção civil”, afirma a diretora do Sine, Talita Camacho.
Matéria publicada em 21 de maio de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.
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