domingo, 14 de outubro de 2012

Metalúrgicos em greve comandam novo protesto no centro de Niterói


*Matéria realizada em conjunto com Daniel Braga

Nem o tempo ruim atrapalhou a manifestação dos metalúrgicos, que estão em greve há uma semana. Munidos de guarda-chuvas, carros de som e faixas de protesto os manifestantes fizeram uma passeata na manhã de quarta-feira.

O cortejo partiu da Avenida do Contorno, na BR 101, passando pela Avenida Feliciano Sodré, Rua Barão de Amazonas e Rua São Pedro para chegar à sede do sindicato da categoria na Travessa Cadete Xavier Leal, onde realizaram mais uma assembleia.

De acordo com a Autopista Fluminense, concessionária que administra a BR 101, o engarrafamento chegou a oito quilômetros, indo do KM 312 ao 320. A manifestação junto com a chuva complicou o trânsito na via.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), um dos carros de som dos manifestantes foi apreendido, pois o condutor não teria apresentado carteira de habilitação. Ainda pela manhã, os proprietários do veículo apresentaram a documentação e liberaram o veículo. Os manifestantes reclamaram de suposta truculência dos agentes durante a ação.

Paralisação já dura uma semana- A greve dos trabalhadores da indústria metalúrgica de Niterói e Itaboraí completa uma semana num impasse. Foi decidido pelos grevistas que um grupo da Comissão de Greve acompanharia as negociações entre o sindicato da categoria e o patronal, o que foi negado pela direção do sindicato.

“O juiz declarou que essa comissão não existe, que não possui representatividade legal”, disse Edson Carlos Rocha da Silva, secretário-geral do Sindicato dos metalúrgicos de Niterói e Itaboraí (STMMMENI).

Na quinta-feira, feriado, não haverá protestos. Na próxima segunda-feira, às 9 horas, haverá uma nova assembleia da categoria. A próxima reunião de conciliação será também no mesmo dia, às 13 horas.

Para a segunda-feira estão previstas também novas passeatas da Avenida do Contorno até a sede do sindicato na Travessa Cadete Xavier Leal para a assembleia e ao término dela, até a estação das barcas, em Niterói, de onde um grupo embarca para o Rio, para acompanhar a reunião de conciliação na sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio.

“O metalúrgico hoje se identifica com o Comando de Greve, ele reconhece ali o seu grupo”, comenta José Batista da Silva Júnior, membro do comando. O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), o patronal da categoria, informou  que não vai se pronunciar sobre as negociações trabalhistas e vai aguardar o resultado da assembleia da próxima segunda-feira.

UFF- Em um ambiente cercado pela apreensão, o Conselho de Ensino e Pesquisa (CEP) da Universidade Federal Fluminense (UFF) se reuniu, na quarta-feira, no campus do Valonguinho, para avaliar a proposta de indicação de suspensão do calendário acadêmico-escolar da instituição. Após um tumulto entre os presentes que apoiavam a medida e contrários ao ato, o reitor Roberto Salles encerrou a sessão, deixando uma incógnita sobre a questão.

Passado o momento, o Comando Local de Greve da Associação dos Docentes da UFF (Aduff) se reuniu para definir encaminhamentos do movimento paredista - iniciado no último dia 22, tendo como principal exigência a revisão do plano de carreiras - e limitou-se a classificar como “divergente” a posição de alguns conselheiros em relação as reivindicações dos professores.

Por sua vez, a Reitoria da UFF, procurada, não retornou as solicitações sobre quais, especificamente, foram as deliberações aprovadas na assembleia.

Legalidade - Na última semana, o Conselho Universitário da UFF declarou apoio aos grevistas com a aprovação do adiamento do calendário acadêmico-escolar. Com a iniciativa, as atividades acadêmicas desenvolvidas a partir da efetivação da suspensão não seriam reconhecidas pela universidade. Todavia, apenas o CEP possui prerrogativa legal para regulamentar essa decisão.

Nacional - Na terça-feira (5), aproximadamente 15 mil manifestantes se aglomeraram em frente ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), para protestar contra o silêncio sobre as reivindicações das 31 entidades do Fórum Nacional dos Servidores Públicos Federais.

No fim da manhã, uma comissão formada por 13 representantes do grupo sindical foi recebida pelo secretário executivo adjunto do MPOG, Valter Correia da Silva, que detalhou a posição do governo federal em só responder as exigências dos trabalhadores no dia 31 de julho, data prevista de entrega, ao Congresso Nacional, da contribuição do Planejamento à Lei Orçamentária Anual (LOA).

Durante o ato, integrantes do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andes-SN) também foram recebidos pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante, que prometeu acompanhar as negociações entre o governo e os setores da educação.

Atualmente, 46 universidades federais estão em greve - segundo o Andes-SN -, mas outras instâncias poderão aderir o movimento, pois a Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras (Fasubra), o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) e o Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) possuem indicativos de greve previstos para os dias 11, 13, 18 e 20 deste mês, respectivamente.

Matéria publicada em 06 de junho de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.

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