domingo, 14 de outubro de 2012

Complexo portuário em Jaconé deve atrair mais investimentos para cidade de Maricá


A implantação do Complexo Portuário dos Terminais Ponta Negra (TPN) promete levar um grande desenvolvimento econômico para Maricá e região. A DTA Engenharia, empresa responsável pelo projeto, garante que as praias de Jaconé serão preservadas e que empregar a mão de obra local será uma das prioridades. Ao todo serão gerados 21 mil empregos.

“Estamos realizando estudos para que os impactos ambientais sejam mínimos, claro que haverá, pois toda alteração causa impacto, mas queremos minimizá-lo. A praia não vai sofrer processo de sedimentação ou de erosão. E em função do canto da praia ser uma área já degradada ela vai receber a intervenção do Porto. Ainda assim, apenas 35% dos 5 milhões e 600 metros quadrados serão usados no projeto e 65% serão preservados”, declara João Acácio Gomes de Oliveira Neto, presidente da DTA Engenharia.

O Terminal Ponta Negra é considerado um dos maiores empreendimentos de infraestrutura do pré-sal, a ser instalado junto a Ponta Negra, no litoral de Maricá. O empreendimento está orçado em R$ 5 bilhões. Por ele irão escoar grande parte da produção do Complexo Petroquímico do Rio de janeiro (Comperj). 

O terminal terá capacidade para receber, classificar e armazenar mais de um milhão de barris de petróleo por dia (quase metade da atual produção nacional). Vai contar ainda com um estaleiro de reparos offshore dotado de dois diques flutuantes para receber os VLCC (Very Large Crude Carrier), estrutura inédita no Brasil.

O presidente da DTA explica também que o polo  não vai causar impactos na dinâmica marítima da região.

”O porto não é uma estrutura ativa que altere a formação e quebra das ondas. O TPN é uma base onshore, na costa. Quando se fala em porto offshore pode ter alterações, porque uma estrutura no meio do mar automaticamente altera o regimento das ondas e da dinâmica marítima”, declara Acácio.

O presidente da DTA aponta ainda que o impacto no sistema viário da região será pequeno, pois o grande volume de movimentação de óleo chegará em navios. Chapas e insumos para o complexo podem chegar pelo sistema ferroviário além do rodoviário. 

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) formou um grupo de trabalho que vai fazer um termo de referência para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental do empreendimento, que deverá ser feito pelos empreendedores. Depois de pronto o estudo,  ele deverá ser encaminhado ao Inea, para análise  e posterior concessão da Licença Prévia. 

De acordo com o secretário de Urbanismo e Meio Ambiente de Maricá, Celso Cabral, já existem interessados em construir em áreas próximas ao TPN complexos condominiais, com escritórios, casas e até centros de convenções. 

O secretário destaca ainda que Maricá possui muitas áreas vazias, próximo à região metropolitana do Rio de Janeiro, o que possibilita a implantação desses empreendimentos.

“Nós iremos realizar quantas audiências públicas forem necessárias para passar as informações para a população. Só não aconteceu ainda porque o projeto não está totalmente pronto. Maricá tem 48 quilômetros de praias contínuas, o que esse complexo utilizar vai ser muito pouco. Se você pega uma foto de Ipanema de 1935 e uma de hoje você vê que a paisagem mudou, mas foi um desenvolvimento urbano importante. Vai ser uma intervenção pequena perto da área total. E as praias de Jaconé não são as únicas aptas para o surfe”, comenta Cabral. 

Tecnologia - O complexo do TPN contará com uma tecnologia inédita destinada a conter vazamentos de óleo, possibilitada pelas características naturais da região. O sistema consiste em uma cortina submersa flexível que se ergue, automaticamente, em caso de detecção de vazamento em apenas dois minutos. Esse equipamento vai ligar as estruturas de pedra que cercam o terminal, contendo o óleo.

Matéria publicada em 10 de junho de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.

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