A greve dos metalúrgicos de Niterói e Itaboraí continua até no mínimo a próxima segunda-feira. A reunião de conciliação entre o Sindicato dos Metalúrgicos e o patronal no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) terminou sem acordo na tarde de ontem e na segunda-feira está marcada uma nova tentativa de conciliação entre as partes. Hoje, depois de protestar na portas dos estaleiros, os metalúrgicos em greve irão fazer uma nova passeata da Avenida do Contorno até a sede do Sindicato, no Centro de Niterói, onde realizarão uma assembleia às 9h.
Os grevistas pretendem realizar uma passeata da Avenida do Contorno, passando pela Avenida Feliciano Sodré e pela Rua Barão de Amazonas para chegar à sede do sindicato na Travessa Cadete Xavier Leal.
Segundo o TRT, na reunião de ontem à tarde, o Sindicato dos Empregados afirmou que não houve decisão que deflagrasse greve na última assembleia da categoria no dia 31. Fato que revoltou os trabalhadores que assistiam à reunião.
“Os metalúrgicos foram traídos e o presidente do sindicato entregou tardiamente a declaração da greve para o patronal e querem declarar a greve ilegal. É uma revolta muito grande, foi um episódio lamentável. Ele disse que a assembleia do dia 31 não teve peso, porque só tinha gente da Chapa 3, tinha mais de 1200 trabalhadores lá. Isso é um absurdo”, afirma José Batista da Silva Júnior, membro da comissão da greve.
Ainda de acordo com o TRT, como as partes, os sindicatos dos trabalhadores e o patronal, afirmaram que estão próximas a um acordo, o presidente da Seção sugeriu que ambos tentassem fechar uma proposta em conjunto esta semana e que a trouxessem na próxima audiência de conciliação, marcada para a próxima segunda-feira, às 13h.
“O juiz comentou que a greve é minimamente inoportuna porque os empresários estavam negociando. Hoje nós vamos tentar participar da assembleia para tentar explicar para os trabalhadores. Quando tentamos falar, eles nos vaiam”, comenta Edson Carlos Rocha da Silva, secretário-geral do STMMMENI, que informa que a vai depender da agenda dos dois órgãos marcar essa reunião antes da de conciliação.
Duzentas pessoas na Praça Arariboia
Depois de realizar manifestações nos respectivos estaleiros de Niterói, um grupo de aproximadamente 200 pessoas se concentrou na Praça Arariboia às 9h. Não foi registrado nenhum tumulto na estação e o fluxo de pessoas durante a manhã foi tranquilo. Também não houve filas e homens do 12º BPM (Niterói) acompanharam toda a movimentação dos grevistas, que utilizaram um carro de som e se revezaram nos discursos para os outros manifestantes e para os usuários da Barcas S.A.
“Eu gostaria que a direção do Sindicato estivesse liderando esse movimento, mas não está. E nós fizemos essa greve atendendo a um pedido dos trabalhadores. Porque essa direção do sindicato não nos representa. Eu já vi um contracheque de um companheiro que tinha um desconto de mais de R$ 400 por causa do Plano de Saúde. Isso é um absurdo”, afirma Paulo de Carvalho, conhecido como Paulinho, membro do Comando de Greve e candidato à Presidência do Sindicato pela Chapa 3, a que faz oposição ao Sindicato.
Às 12h os metalúrgicos fizeram a travessia da Baía de Guanabara utilizando o serviço das Barcas e, depois, caminharam até a sede do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na Avenida Presidente Antônio Carlos, no Centro do Rio, para pressionar os participantes da reunião de conciliação.
Segundo os sindicalistas, cerca de 700 manifestantes se concentraram nas escadarias do tribunal. Homens do 5º BPM (Saúde) acompanharam a movimentação dos grevistas em suas rondas e não chegaram a destacar viaturas para o local.
As reivindicações da categoria são o aumento salarial de 16%, aumento no valor do vale refeição de R$ 140 para R$ 350, maior segurança no ambiente de trabalho, plano de saúde com descontos simbólicos em folha e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), o patronal da categoria, não vai se pronunciar sobre as negociações trabalhistas e vai aguardar a decisão da justiça.
Memória - Em desacordo com a direção do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Niterói e Itaboraí (Simmerj), foi declarada greve por tempo indeterminado na quarta-feira. O comando da greve é composto, em sua maioria, por membros da Chapa 3 das eleições do sindicato. Na quinta-feira houve assembleia na porta do sindicato, no Centro de Niterói, que terminou com três homens detidos, e logo liberados, por desacato à autoridade.
Matéria publicada em 05 de junho de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.
Nenhum comentário:
Postar um comentário