Trafegar acima da velocidade, avançar o sinal de trânsito, ultrapassar em locais proibidos e até mesmo não respeitar a faixa de pedestres são itens que contribuem para alavancar os dados de mortes por atropelamentos nas grandes cidades. Em Niterói, apesar dos recentes casos ocorridos onde três jovem perderam as vidas por supostas manobras irregulares de condutores, dois no bairro do Ingá e outra no Centro, os números de vítimas nestes casos diminuiu. A imprudência no trânsito, considerada muitas vezes como homicídio culposo, apresentou queda superior a 45% no comparativo de janeiro a maio entre 2011 e 2012, onde no ano passado foram 22 registros contra 12 deste ano, segundo Micro Dados dos Registros de Ocorrência da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro. Já os números divulgados pela Polícia Militar apontaram que, de janeiro a maio deste ano, foram registrados 2.649 acidentes de trânsito na cidade, destes 89 foram atropelamentos.
Em junho deste ano, um levantamento feito pelo Corpo de Bombeiros mostrou que havia um registro de aumento de 200% no número de pessoas atropeladas na Estrada Francisco da Cruz Nunes, na Região Oceânica de Niterói. Os dados apontaram 10 atropelamentos nos cinco primeiros meses desse ano, contra três no mesmo período do ano passado. De acordo com os dados enviados pela NitTrans as vias que aparecem nos três primeiros lugares nos registros de atropelamento são: a Alameda São Boaventura, seguida por Estrada Francisco da Cruz Nunes e Avenida Feliciano Sodré.
Quem passou pelo susto de se envolver em acidente de trânsito não esquece a dor e os prejuízos causados pela imprudência. O tatuador de 23 anos, Diego Loureiro sofreu um grave acidente no último dia 23 de junho em Icaraí. Ele e uma amiga estavam de moto na Rua Noronha Torrezão, quando um carro foi trocar de pista e atingiu a motocicleta com violência. Diego deslocou a bacia, rachou o pulso, deslocou o dedão e teve que colocar quatro placas e 22 parafusos em um dos braços, mas isso não foi o pior. A carona da moto, além de múltiplos ferimentos, teria batido a cabeça e só saiu da sedação nessa semana.
“Eu queria que as pessoas fossem mais prudentes e tivessem mais atenção no trânsito. Eu estava todo certo na pista. Sou autônomo e desde o acidente estou parado. Aquele motorista não me ajudou em nada”, comenta Diego que terá que fazer sessões de fisioterapia e vai dar entrada no DPVAT.
Muitas mortes poderiam ser evitadas se condutores respeitassem regras que estão no Código Brasileiro de Trânsito, o qual determina que veículos maiores precisam zelar pelos menores e até pelos pedestres.
Não foi o que aconteceu no último dia 12, quando a jornalista Maria Carolina Ferreira, de 29 anos, foi vítima de atropelamento na Avenida Feliciano Sodré, no Centro de Niterói, e acabou falecendo dois dias depois em decorrência dos ferimentos. Segundo testemunhas, a jovem atravessou a rua quando um motociclista ultrapassou o sinal vermelho e a atropelou.
O motociclista fugiu, mas depois foi identificado e prestou depoimento na 76ª DP (Centro), sendo liberado em seguida. Ele será autuado por lesão corporal culposa e, se condenado, a pena varia de três meses a 12 anos de detenção. Maria Carolina Ferreira era repórter de Economia há dois anos no Jornal do Commercio. Segundo um de seus colegas de trabalho, o editor de Economia Mário Russo, de 57 anos, Maria Carolina tinha uma carreira brilhante pela frente.
No princípio do mês, no bairro do Ingá, três jovens estudantes da Universidade Federal Fluminenses (UFF) foram atropelados por um veículo que subiu a calçada e os atingiu. No acidente dois deles acabaram morrendo. Uma jovem ainda está em estado grave. Os três, todos estudantes de engenharia mecânica da UFF, seguiam para a casa de um amigo para jogar videogame na hora do atropelamento.
Advogado diz que pena é branda
Para o advogado Vargas Vila Cruvello D’ Ávila as leis de trânsito no Brasil são mais brandas que em outros países.
“O Código de Trânsito foi um grande avanço na época em que foi criado, as pessoas respeitaram as determinações e tivemos uma redução de 30% no número de acidentes. Só que depois as pessoas se acomodaram e os acidentes voltaram a subir. Algumas penas quase coincidem nos dois códigos, sendo que em alguns casos no CTB a pena é maior”, comenta o advogado.
DPVAT
Um direito de todos os que sofrem um acidente de trânsito, mas que poucos sabem a maneira correta de proceder para retirar é o Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT) mais conhecido como “Seguro Obrigatório”.
O seguro é pago pelo dono do carro junto com o IPVA e as indenizações pagas pelas seguradoras são posteriormente ressarcidas pelo proprietário do veículo causador do acidente. O prazo para dar entrada no pedido de indenização do DPVAT é de três anos, a partir do dia do acidente. Nos casos de invalidez, em que o acidentado esteve ou está em tratamento, o prazo passa a ser a data de emissão do laudo do Instituto Médico-Legal.
“É um seguro extremamente importante. O interessado pode procurar qualquer seguradora para dar entrada, porém é uma burocracia grande para conseguir a indenização. Devia ser mais rápido”, comenta o advogado Vargas Vila Cruvello D’Ávila.
Vias que apresentam mais casos de atropelamentos na cidade:
Alameda São Boaventura 10
Francisco da Cruz Nunes 8
Feliciano Sodré 6
Visconde do Rio Branco 3
Caetano Monteiro 3
Marques do Paraná 3
Rui Barbosa 2
Central Ewerton Xavier 2
Noronha Torrezão 2
Amaral Peixoto 2
Matéria publicada em 21 de julho de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.
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