Uma confusão em frente ao Clube Tamoio, no Centro de São Gonçalo, terminou com um jovem morto e outro ferido na madrugada de segunda-feira. Sons altos e manobras de uma motocicleta conduzida pelo primo da vítima fatal teriam irritado um suposto PM reformado, antes lotado no 7º BPM (São Gonçalo), que trabalharia como segurança do estabelecimento. Testemunhas afirmaram que o policial deu várias coronhadas no rapaz e, em seguida, alvejou Pablo Edésio de Souza na cabeça e Cleiton de Souza da Silva, ambos de 19 anos, nas costas.
Os dois foram levados para o Pronto-Socorro de São Gonçalo, em Zé Garoto, mas Pablo não resistiu aos ferimentos. Cleiton segue internado. De acordo com depoimentos à 72ª DP (Mutuá), o terceiro rapaz, primo de Pablo, João Hugo Rodrigues Lopes, também de 19 anos, estaria na frente do clube fazendo manobras com uma motocicleta, o que teria irritado o suposto segurança do estabelecimento. O ex-militar teria dado várias coronhadas em João.
Segundo o pai de Pablo, o funcionário público Celso Lopes, 56, o filho estaria passando pelo local depois de comemorar o aniversário de um amigo no Garden Dancing, que funciona no prédio anexo ao Tamoio. ”Este é o pior aniversário da minha vida. Perdi um amigo, quase irmão. Ainda não consigo acreditar que o estou enterrando horas depois de comemorarmos meu aniversário”, lamentou o promoter Luiz Ricardo Lima, conhecido pelos amigos como Tchetcheco, 18, após o sepultamento de Pablo, no Cemitério Municipal de São Gonçalo, às 16h30 de segunda-feira.
O pai do rapaz morto informou que o filho teria reconhecido que seu primo estava sendo agredido e tentou intervir. Nesse momento, o suposto segurança teria realizado uma série de disparos e depois fugiu. “Meu filho era um bom garoto. Em qualquer situação ele queria apartar briga. Foi uma covardia, uma perversidade esse segurança agir dessa maneira. Esse homem não pode ficar solto na sociedade”, afirmou Celso Lopes, bastante abalado. Mãe de Pablo, Rosângela Lopes disse ter perdido o príncipe da sua vida. “Ele era doce, trabalhador, bom menino. Perdi um pedaço de mim”, disse, muito emocionada. Pablo trabalhava no setor de entregas do jornal O Povo de São Gonçalo há dois anos e na Câmara Municipal de Vereadores de São Gonçalo, como cabo eleitoral de um político.
Família diz que unidade para onde vítima foi levada não tinha neurocirurgião- Familiares de Pablo afirmam que não havia neurocirurgião de plantão na unidade de saúde. “Ele perdeu muito sangue e não tinha especialista no Pronto Socorro. Ele foi socorrido, mas não tiveram como ajudar ele. Lugar nenhum tinha neurocirurgião”, lamenta o pai do rapaz.
Porém, a Prefeitura de São Gonçalo informou que todos os procedimentos foram realizados, acompanhado pelo neurocirurgião, embora sem sucesso na manobra de ressuscitação do paciente, e que o Pronto-Socorro Central possui neurocirurgião todos os dias de plantão. Segundo a Prefeitura, o rapaz deu entrada no local em estado gravíssimo, em coma, com morte encefálica eminente e lesões de carótida e intracraniana.
Matéria publicada em 23 de julho de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.
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