O Estado do Rio vive um dos momentos mais prósperos de sua história. Grandes empreendimentos aliados a importantes eventos culturais e esportivos impulsionam melhorias e colocam o Rio no centro das atenções do país e do mundo. Esses “bons ventos” chegam a Niterói e região através de ações nos setores petroquímico e naval, além de investimentos em infraestrutura como saneamento, energia e transporte.
De acordo com o estudo “Decisão Rio” da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o Rio de Janeiro receberá, entre 2011 e 2013, investimentos públicos e privados que somam R$ 181, 4 bilhões, sendo R$ 13, 2 bi exclusivamente para a região Leste Fluminense.
O presidente geral da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, ressalta que a indústria do estado está cada vez mais forte. “A região metropolitana do Rio responde por mais de 81% dos empregos formais do estado e passa por uma significativa mudança com expressiva movimentação de investimentos. A área recebeu uma grande siderúrgica, os estaleiros estão passando por um processo de revitalização, teremos um complexo petroquímico novo e moderno já em construção”, declara.
Segundo o estudo, o saldo de geração de empregos no Estado do Rio alcançou considerável aumento no primeiro trimestre de 2012. O levantamento mostra que foram abertos 4.516 novos postos de trabalho em 2012 na indústria do Estado, contra 3.751 no mesmo período do ano passado. O resultado ficou a cargo da indústria da transformação, setor que melhorou o nível de contratações, gerando 3.323 vagas formais, 1.992 a mais do que no ano passado. Foram geradas no território fluminense 27.487 vagas formais, melhor que o mesmo período de 2011 com 23.883.
Nos próximos anos a Região Metropolitana será beneficiada por vários investimentos. Segundo a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, entre eles está a nova fábrica da Coca-Cola em São Gonçalo, um investimento de R$ 700 milhões que deve gerar 2,2 mil empregos. O Polo Industrial de Guaxindiba, também em São Gonçalo, já atraiu mais de R$ 400 milhões em investimentos, mas o carro-chefe da região Leste Fluminense é o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, um investimento de R$ 36 bilhões, que deve gerar mais de 50 mil empregos diretos.
Em termos percentuais o setor industrial apresentou avanço de 11,7% na geração de empregos na Região Metropolitana, de acordo com estudo do IBGE. Segundo o setor de estudos econômicos da Firjan, em 2012, a Indústria Naval e a Construção Civil devem continuar em crescimento e criando vagas. No caso da Construção Civil, tanto pelas obras do Comperj, quanto por investimentos imobiliários e de infraestrutura a projeção também é otimista.
“Há uma expansão significativa das indústrias já instaladas e outras tantas se instalando, em especial no segmento da construção civil, offshore e de serviços. Sem esquecer que o processo ainda está em evolução, em função dos projetos do Comperj, Arco Metropolitano e ampliação da Rodovia BR-101”, comenta o presidente da Firjan do Leste Fluminense, Luiz Césio Caetano Alves, que aponta a falta de mão de obra como uma das principais dificuldades das indústrias da região. “A disponibilidade de mão de obra especializada e capacitada é um importante fator de atração de indústrias. Hoje, a demanda é maior que a disponibilidade”, avalia.
Os grandes eventos que o Estado vai sediar também atraem investimentos que se refletem em infraestrutura para indústrias e para a sociedade de um modo geral. Entre as principais ações visando a uma melhor infraestrutura para o estado estão o Arco Metropolitano, que ligará o Porto de Itaguaí a Itaboraí; a Linha 3 do Metrô, que vai unir Niterói, São Gonçalo e Itaboraí e os portos de São Gonçalo e Maricá, fundamentais para reiterar a força da indústria naval na região.
‘Uma revolução desenvolvimentista’- É como se refere o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Julio Bueno, à fase pela qual está passando o Rio, e em especial a Região Leste Fluminense, que tem se beneficiado do crescimento da produção industrial e da infraestrutura, e tem a participação ativa do estado como base da economia.
“Além da implantação do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, megaeventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas estão contribuindo para atrair investimentos”, comemora.
O FLU - Como o senhor observa a evolução industrial da região nos últimos anos?
Julio Bueno - “O Estado do Rio de Janeiro está passando por uma revolução desenvolvimentista. Houve o equilíbrio das finanças públicas, que trouxe investimento grande e isso, aliado ao cenário positivo para a atração de investimentos pelo qual o Brasil estava vivendo, contribuiu para que empresas de vários segmentos se interessassem em vir para cá”.
O FLU - E que setor da indústria está se destacando?
Julio Bueno – “A maior parte dos investimentos está ancorada no pré-sal, que vai elevar consideravelmente as reservas brasileiras atualmente na casa dos 14 bilhões de barris. Além dos investimentos feitos pela Petrobras e pelas suas parceiras nas áreas exploratórias, há todo o investimento que decorre desta exploração do petróleo, como a indústria naval, o setor portuário e refinarias. O Comperj é o maior investimento já feito pela Petrobras em um único projeto e trará uma grande transformação socioeconômica para esta região. Como por exemplo, a instalação de toda a cadeia do plástico no entorno do Comperj. Inclusive nós estamos pensando em uma política específica para incentivar este segmento”.
O FLU - Qual papel o Estado está desempenhando para desenvolver a Região Leste Fluminense?
Julio Bueno – “Em linhas gerais, esta região será diretamente beneficiada por obras de infraestrutura, como a do Arco Metropolitano, que tem investimentos de R$ 1,2 bilhão e cria condições logísticas excelentes para empresas se instalarem ao longo de toda a sua extensão. Isso já pode ser visto com o sucesso da criação dos distritos industriais de Queimados e de Seropédica, por onde passará o traçado do Arco Metropolitano, que vem atraindo várias empresas. Também está sendo pensado um polo de navipeças para a região”.
O FLU – Como o senhor avalia a recuperação da indústria naval ?
Julio Bueno – “A instalação do porto é fundamental para a questão logística da região, pois num primeiro momento vai servir de entrada dos equipamentos a serem utilizados no Comperj. Com o término da construção da unidade, o porto será um terminal que vai servir de apoio às demais embarcações, gerando emprego e renda para a região. Além do porto, a indústria do petróleo vai movimentar e muito a indústria naval concentrada em Niterói. O crescente número de encomendas da Petrobras deve, naturalmente, concentrar-se no estado do Rio de Janeiro por conta de sua vocação na indústria naval. Mas nem só de petróleo deve viver esta região. São Gonçalo, por exemplo, que merece toda a nossa atenção por conta dos baixos índices de desenvolvimento econômico e social, vai receber uma fábrica da Coca-Cola, que vai gerar mais de dois mil empregos diretos, e vai trazer outras fábricas de apoio para se instalarem ali também”.
O FLU – Que obras de infraestrutura para a região estão no planejamento do Governo?
Julio Bueno – “Além do Arco Metropolitano, que já vai ter um forte impacto positivo para o desenvolvimento econômico e social da região metropolitana, merecem destaque a Linha 3 do metrô, ligando Niterói e Itaboraí ao Rio de Janeiro; os investimentos de R$ 200 milhões no Porto de São Gonçalo e ainda a instalação do Terminal Ponto Negra (TPN), que também é conhecido como Porto de Maricá, e vai ser uma das bases para receber o óleo do pré-sal das parceiras da Petrobras e também o que vai ser destinado ao Comperj. Só neste terminal estão previstos investimentos de R$ 5 bilhões. O governo do Estado também está atento à questão do saneamento básico, que ainda não atende a contento esta região e vai tomar em breve providências para mudar este cenário”.
Mobilidade: grande desafio da região
Para dar suporte às indústrias que estão se instalando na Região Leste Fluminense, muito já começou a ser investido em infraestrutura. São obras de saneamento básico, drenagem do entorno dos estaleiros e remoção de embarcações abandonadas. Para equacionar a questão da mobilidade urbana, a Secretaria Estadual de Obras aposta na construção da Linha 3 do Metrô, que vai ligar Niterói a Itaboraí, e deve começar ainda nesse ano, com prazo para conclusão em 2014.
O corredor ligará Niterói e São Gonçalo através de 14 estações, saindo da Praça Araribóia, no centro de Niterói, até Guaxindiba, em São Gonçalo. Serão 23 quilômetros, sendo 18,8 quilômetros de vias elevadas e 4,2 quilômetros de vias em superfície. A ligação de São Gonçalo com Itaboraí está prevista para ser feita por rodovia.
Outra obra vital para a mobilidade da região é o Arco Metropolitano, também previsto para ficar pronto em 2014, que vai ligar o complexo industrial e portuário de Itaguaí ao Comperj, em Itaboraí. Antes da conclusão das obras, o arco já atrai empresas para o entorno da estrada. O arco foi projetado para aliviar o tráfego de até sete estados do Brasil, além de reduzir o custo de transporte do porto. O estudo Decisão Rio da Firjan aponta que essa redução pode chegar a 20% no entorno do Arco. Além disso, 72 quilômetros do arco estão sendo construídos em uma região com baixa densidade populacional, o que viabiliza o uso dessas áreas para instalação de novas indústrias e centros de distribuição.
Mais uma importante obra para o setor de transportes no estado é a duplicação da estrada Niterói – Campos, um investimento de R$ 2,3 bilhões.
O asfaltamento de ruas, também importante para garantir a mobilidade, tende a crescer nos próximos anos. Já foi entregue a primeira etapa do convênio entre a Secretaria Estadual de Obras e a Prefeitura de São Gonçalo, que prevê a pavimentação e drenagem de vias, com um total de 20 ruas no Jardim Catarina. Serão investidos mais de R$ 177 milhões em obras com serviços de saneamento básico, drenagem, abastecimento de água, esgoto sanitário e urbanização.
Garantir o abastecimento de água para a região, aliás, é uma prioridade da Secretaria Estadual de Obras. A meta é que a cobertura em São Gonçalo chegue a 95% ainda em 2012. Foi inaugurado o reservatório de Colubandê e a primeira fase da adutora de água tratada, que beneficia 200 mil pessoas na cidade. Além da reativação do reservatório de Marques Maneta, construído há mais de uma década, e a ampliação da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Imunana-Laranjal.
Em Maricá, estão em andamento as obras para levar água tratada para os distritos de Inoã e Itaipuaçu. Uma parceria entre União, Estado e Prefeitura, com uso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) coloca em prática o maior conjunto de obras da história do município, orçado em R$ 70 milhões. Serão construídos dois reservatórios e 205 quilômetros de redes de distribuição. A Cedae fará ainda 12 mil ligações à rede de abastecimento, sendo quatro mil para Inoã e oito mil para Itaipuaçu. As obras vão beneficiar diretamente 50 mil habitantes.
Em Itaboraí, as obras iniciadas em outubro de 2011, para o ampliação da adutora de Porto das Caixas, tem previsão de conclusão para outubro. A capacidade de distribuição aumentará de 140 para 240 litros por segundo, beneficiando 30 mil moradores.
Para atender o setor naval, o Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias vai apresentar à Secretaria de Estado do Ambiente o projeto completo da dragagem do Parque Offshore de Niterói e São Gonçalo, área da Ilha da Conceição ao Gradim. O projeto foi desenvolvido a pedido dos estaleiros.
Leque de oportunidades
Com o crescimento industrial, um dos principais desafios para empresários, governos e sociedade é a falta de mão de obra qualificada. Para enfrentar o problema, vários cursos voltados para as indústrias estão se instalando na região. Segundo pesquisa sobre o mercado de trabalho, desenvolvida pela Firjan, o setor de petróleo e gás oferece muitas oportunidades de colocação. Os interessados encontram formação em instituições como Faetec, Senai, além de graduações e pós na Universidade Federal Fluminense (UFF).
O Colégio Estadual Henrique Lage, no Barreto, em Niterói, é a única escola da América Latina que oferece cursos de construção naval e máquinas navais no Ensino Médio.
Segundo o professor e diretor da Escola de Engenharia da UFF, Fernando Mainêr, a universidade é uma grande formadora de mão de obra qualificada no estado. “Todas as áreas da engenharia estão ligadas a algum campo relacionado à indústria do petróleo no estado, que absorve os profissionais de engenharia de petróleo e gás, química, mecânica e elétrica”.
O professor também destaca os cursos de engenharia de telecomunicações e o de recursos hídricos e de meio ambiente. “Nos últimos anos as vagas oferecidas para a Escola de Engenharia aumentaram”, observa.
Faetec - A Fundação de Apoio à Escola Técnica Estadual (Faetec) oferece cursos em Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. As inscrições são feitas através do site da Fundação www.faetec.rj.gov.br. As matrículas são realizadas por sorteio após reunir os dados de todos os inscritos no site. Os cursos são gratuitos e não é preciso comprovar baixa renda.
Na região são oferecidas em média mais de 2,2 mil vagas por semestre em diversos cursos que vão de Idiomas e Informática à Construção Naval e Edificações.
De acordo com a Faetec, os cursos de Máquinas Navais e de Construções Navais estão sendo mais procurados devido ao Comperj. Para a região do entorno do Complexo, a Faetec já disponibiliza cursos que indiretamente fazem parte das necessidades de mão de obra. Em São Gonçalo a unidade que será inaugurada no segundo semestre de 2012 terá vocação para a área de Petróleo e Gás.
Senai - O Sistema Firjan, através do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), também forma profissionais habilitados nas mais diversas carreiras. O presidente geral da entidade, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, destaca investimentos no Senai Niterói para expansão e atualização tecnológica da unidade.
“A cadeia produtiva da indústria naval oferece muitas oportunidades para contratação de mão de obra devido às demandas de embarcações e plataformas em decorrência da expansão da produção de petróleo e gás. Isso envolve um número relativamente grande de títulos ocupacionais, destacando-se os de construção e reparo, como soldadores, caldeireiros, inspetores de solda, dentre outros”, declara Vieira.
O presidente destaca também um aumento na demanda de mão de obra por causa das obras de instalação do Comperj, nos ramos relacionados à montagem da infraestrutura, como da construção civil, e à montagem industrial. Quando começar a operar, o polo vai precisar de profissionais de produção petroquímica.
“Também existe uma boa perspectiva de aumento da demanda por empregos nas chamadas áreas transversais, ou seja, aquelas não correlacionadas diretamente ao processo produtivo, mas que possuem grande importância, principalmente aquelas relacionadas à logística, segurança do trabalho e meio ambiente”, comenta Vieira.
Matéria publicada em 25 de maio de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.
Nenhum comentário:
Postar um comentário