segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Primeira sexta-feira 13 do ano é marcada por superstições

*Matéria realizada em conjunto com Simone Schettino e Gustavo Lethier


A primeira Sexta-feira 13 de 2012 traz à tona uma antiga discussão sobre superstições. Fugir do encontro com um gato preto, evitar passar por baixo de escadas, andar com galhinhos de arruda atrás da orelha ou tomar banho de sal grosso são apenas algumas das precauções tomadas por parte das pessoas para evitar a ‘má sorte’ no fadado dia. O FLUMINENSE foi ouvir  especialistas para explicar a razão de algumas destas crenças populares.

Conhecidas como 'paraskevidekatiaphobia' e 'triskaidekaphobia', o medo da sexta-feira 13 ou apenas do número 13 são tão comuns nos Estados Unidos que estudos do Stress Management Center e do Phobia Institute estimam que as empresas percam pelo menos 850 milhões dólares sempre que uma Sexta-feira 13 marca presença no alendário. Ainda segundo os institutos de pesquisa, existem registros de que algo perto de 19 milhões de americanos sejam afetados pelo medo e que muitos se recusem a deixar suas casas por medo da data. A superstição é tanta que, na maioria das edificações, o elevador pula o 13º andar, parando apenas no 12º e no 14º.

Para a professora de História Cultural da Universidade Federal Fluminense (UFF), Martha Campos Abreu, as crendices populares e superstições fazem parte da história do Brasil, elas sempre existiram. 

“Isso é fruto de uma religião católica mal ensinada, que as camadas populares aplicaram de acordo com a sua realidade. Os primeiros tempos da colonização foram marcados por um trabalho limitado, eram poucos padres para um território muito grande. E por outro lado vieram as práticas dos povos africanos que ao invés de se subordinar, se apropriaram ainda mais da cultura católica. A igreja católica nunca conseguiu que as pessoas seguissem a religião de forma correta, nem no Brasil, nem na Europa” e depois completa, “Os setores populares devem encontrar alguma eficácia nessas práticas por que senão não acreditariam, não é?”, provoca.

São diversos fatores que levam as pessoas a acreditar ou não em superstições e isso varia de acordo com cada um. A estudante universitária Gabriela Moraes, de 21 anos, é um exemplo. 

"Eu sou meio supersticiosa. Nunca me aconteceu nada em Sexta-feira 13 mas mas sempre acontece quando passo por baixo de escada, por isso agora evito", comenta.

Há aqueles que independente das experiências anteriores, acreditam fielmente que se um gato preto atravessar o seu caminho ou se for Sexta-feira 13 vai trazer mau agouro ao dia, assim como que para se proteger basta um trevo de quatro folhas ou uma ferradura presa na parede de casa voltada para cima.

Já a também estudante universitária Nathalia Magalhães, de 22 anos, vive muito bem independente de superstições. "Sei lá... não acredito em nada disso não, nunca me aconteceu nada. Eu até brinco, mas não acredito pular sete ondinhas, comer lentilha, deixar o chinelo virado... não faço nada disso!"

A maioria das pessoas diz não acreditar em superstições, mas evita mesmo assim, evitar passar por baixo de escadas e de marcar compromissos nas Sextas-feiras 13. Por via das dúvidas, é bom conferir seus patuás porque em abril e julho teremos outras duas Sextas-feiras 13.

Origens - O jornalista e blogueiro Luiz Carlos Dias explica que as origens da superstição estão nas religiões e crenças populares, que foram consolidadas através dos tempos.

“No folclore Viking, Loki era o Deus XIII e na história de Norna-Gest, quando convidados indesejados apareciam na festa de aniversário de uma criança, trazendo o número de convidados até treze anos, o último dos convidados seria uma criança amaldiçoada. Mesmo antigos persas estavam preocupados com o número treze, porque eles acreditavam que cada uma das doze constelações do Zodíaco governaria a terra por mil anos e que depois de terminado o ciclo (no décimo terceiro milênio), o céu e a terra entrariam em colapso, atingiriam o caos”, exemplifica.

Segundo ele, o medo da sexta-feira 13 é, na verdade, uma teoria desenvolvida relativamente há pouco. 

“Os historiadores não encontraram nenhuma evidência de que alguém teria falado sobre Sexta-feira 13 até o século XIX, quando a primeira menção dos males da data foram vistos em uma biografia de Gioachino Rossini, em 1869. Mesmo assim, o mito realmente não tomou forma até o século XX, quando o romance de Thomas W. Lawson Sexta-feira, 13 se tornou um best seller. Depois que o livro se tornou um nome familiar, assim como as histórias sobre como o dia se tornou azarento”, conclui.

Esportes - O atacante do Botafogo, Sebastian "Loco" Abreu, apesar de supersticioso, não faz planos específicos para a sexta-feira. Ele treinará normalmente com os companheiros na sede do Botafogo em General Severiano. No entanto, Loco Abreu confirma que, por gostar do número, o dia tende a ser especial.

- O 13 me dá sorte. Representa força, sacrifício e pensamento positivo. É também uma forma de mostrar que o 13 não é um número de azar, sempre me trouxe coisas boas. Costuma ser um dia bom.

Mesmo assim, Abreu ainda tem suas manias e superstições, que envolvem placas de carro e até números de apartamentos. Nenhuma delas exclusiva para o dia 13.

Quando foi apresentado ao Botafogo, há dois anos, Loco recebeu a camisa alvinegra das mãos do mais ilustre supersticioso do futebol brasileiro. Zagallo esteve na cerimônia, e, na ocasião, declarou:

- Se ele tiver a mesma felicidade que eu tive quando comecei a usar a camisa 13… A sorte dele já veio do Uruguai, e espero que no Botafogo ele tenha o mesmo sucesso.

Matéria publicada em 13 de janeiro de 2012 no jornal O Fluminense, disponível no site

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