segunda-feira, 1 de outubro de 2012

De Minas Gerais direto para o Rio


Já não se fazem mais festivais de jazz como antigamente. Moderno e participativo, chega para valer ao Rio de Janeiro nesta semana a primeira edição do Festival Savassi de Jazz, um dos eventos de música mais bem sucedidos em Minas Gerais há oito anos, agora com edições em São Paulo e Juiz de Fora. Para valer, por que foi realizado na semana passada o primeiro show da edição Rio do Savassi Festival, uma espécie de soft open para a extensa e imperdível programação desta semana.

Lipe Portinho, diretor da Sala Baden Powell e responsável pela organização do Festival no Rio, conta que a expectativa para os próximos shows são as melhores. “O festival já começou no dia 28 com o Chris Potter and Underground na Sala Baden Powell e tivemos casa cheia. A gente espera isso de novo”, argumenta.

Savassi é o nome do bairro em Belo Horizonte que abriga o festival desde a primeira edição, em 2003. Este ano, o evento comunitário já começou surpreendendo, levando mais de 5 mil pessoas para a rua em um domingo, de acordo com o organizador do evento, Bruno Braz Golgher.

Atualmente, o festival possui várias atividades fora as mais de 90 apresentações em espaços públicos e privados, como o ‘Jazz Clube’, com shows em cafés, restaurantes, bares, shoppings e teatros; o Fotografe o Jazz’, concurso de fotos do evento; ‘Novos talentos do jazz’, concurso de novas bandas para participar do evento principal; ‘Planejando o Savassi Festival’, seminário de três dias sobre a produção do evento para interessados; e o ‘jazzy’, um concurso de DJs que usam jazz ou música instrumental. No Rio de Janeiro, por enquanto, além dos shows está valendo apenas o concurso ‘Fotografe o Jazz’. Porém, vários artistas do Rio foram levados para tocar nas outras cidades do Savassi 2011 na categoria Novos Talentos, atitude comemorada por Portinho.

“O intercâmbio cultural foi da melhor qualidade, você conhece músicos do interior de Minas, de São Paulo. É uma troca”, explica.

Golgher conta que a ideia de ter edições em outras cidades tornou-se interessante este ano para que os artistas internacionais realizassem mais de um show no País. Para isso, foram fechadas parcerias com instituições internacionais a fim de financiar a vinda desses artistas e a realização das outras edições do festival. Em Minas, são realizados vários shows ao ar livre, o que atrai um público renovado para o jazz.

“O público varia de acordo com o local das atividades. Em praças e parques, o público é composto por famílias e idosos. Em shoppings, o público é mais jovem. Na verdade, a medida que o festival acontece, o público fica mais jovem”, conta Golgher.

O Rio não terá shows ao ar livre, mas Lipe Portinho acredita que as apresentações realizadas conseguirão fazer essa correlação. “Eu acho que o público jovem quer ouvir música boa, a um preço acessível. Eu aposto que vai dar muito certo. Lá em BH, tem a parte da rua que aqui não vai ter. A rua fica lotada, os teatros também”, conta.

Sobre a organização do festival, Portinho é puro entusiasmo. “O Bruno (Golgher) teve uma ousadia que nenhum carioca ou fluminense teve. Festivais sérios mostram para a gente que a música é importante e deve ser mantida no primeiro plano. A música precisa dessas iniciativas e ele está nos ensinado isso”, finaliza.

Programação:

Mark Lambert & Orquestra Rádio Swing (EUA/Brasil) - hoje, às 21 horas, Teatro Odisséia - O cantor/guitarrista/ arranjador norte-americano Mark Lambert lidera a Orquestra Rádio Swing, uma banda de músicos brasileiros com dois cantores, quatro na cozinha, baixo e bateria, e quatro sopros. O repertório vai de Ray Charles a Tim Maia, passando por James Brown e Sly & the Family Stone.

Omri Mor Trio (Israel) - hoje, às 21 horas, TribOz - O pianista israelense de 28 anos Omri Mor estudou música clássica e atualmente se apresenta em festivais de jazz em seu país e no exterior. Já tocou com diversos artistas, de roqueiros a músicos étnicos. O repertório de Omri varia da música clássica ao jazz, passando por música latina e afro-cubana.

Cliff Korman Ensemble convida Billy Drewes (EUA) - 04 de agosto, amanhã, às 20 horas, Sala Baden Powell – Cliff Korman é pianista, compositor e arranjador. Educador e pesquisador de jazz, música brasileira, e improvisação, Korman gosta de dizer que 25 anos de imersão no universo musical do Brasil projetaram uma luz diferente na maneira como ele vê o jazz.

Quinteto TribOz (Austrália/Brasil) 04 de agosto, amanhã, às 21h30, TribOz – O Quinteto TribOz é formado por músicos residentes do clube de jazz do TribOz, o Centro Cultural Brasil-Austrália, fundado e dirigido por Mike Ryan, responsável por trompete/flugel, percussão e voz no quinteto. O repertório é composto por canções próprias do grupo influenciadas por jazz e world music.

Kevin Mahogany (EUA) – 05 de agosto, sexta, às 20h, Sala Baden Powell - Kevin Mahogany é um cantor de jazz de Kansas City, no Missouri. Conseguiu sucesso na década de 90, depois de participar de vários grupos na faculdade e em sua cidade natal na década de 80.

Scott Feiner & Pandeiro Jazz (EUA/Brasil) - 05 de agosto, sexta, às 21h30, TribOz – Scott Feiner é um pandeirista norte- -americano que inseriu o instrumento no Jazz. Seu projeto, Pandeiro Jazz, é uma mistura do jazz com o pandeiro brasileiro. Feiner conheceu o pandeiro em uma visita ao País em 1999 e se mudou para o Rio em 2001.

Yuri Popov (Brasil) – 06 de agosto, sábado, às 20h, Sala Baden Powell - Yuri Popov é um contrabaixista e compositor mineiro. Iniciou sua carreira em 1975 na Orquestra Sinfônica de Campinas. Atuou também como professor de baixo e arranjo em Universidades. Já trabalhou com artistas como Nana Caymmi, Maria Bethânia, João Donato, entre outros.

Nivaldo Ornelas (Brasil) - 06 de agosto, sábado, às 21h30, TribOz - Nivaldo Ornelas é um reconhecido sideman. Já trabalhou com Gal Costa, Hermeto Paschoal, entre outros. 

Matéria publicada em 03 de agosto de 2011 no jornal O Fluminense.

Nenhum comentário:

Postar um comentário