Já não se fazem mais festivais de
jazz como antigamente.
Moderno e participativo, chega
para valer ao
Rio de Janeiro nesta semana a primeira edição do
Festival Savassi
de Jazz, um dos
eventos de música mais bem
sucedidos em Minas
Gerais há
oito anos, agora com edições em
São Paulo e Juiz de
Fora. Para
valer, por que foi realizado na
semana passada o
primeiro
show da edição Rio do Savassi
Festival, uma espécie de
soft
open para a extensa e imperdível programação desta semana.
Lipe Portinho, diretor da
Sala Baden
Powell e responsável pela organização do Festival no Rio, conta que a expectativa
para
os próximos shows são as
melhores. “O festival já começou no
dia 28
com o Chris Potter and
Underground na Sala Baden Powell e tivemos
casa cheia.
A gente espera isso de novo”, argumenta.
Savassi é o nome do bairro
em Belo
Horizonte que abriga
o festival desde a primeira
edição, em 2003.
Este ano, o
evento comunitário já começou
surpreendendo, levando
mais
de 5 mil pessoas para a rua em
um domingo, de acordo com o
organizador do evento, Bruno
Braz Golgher.
Atualmente, o festival possui várias
atividades fora as
mais de 90 apresentações em
espaços públicos
e privados,
como o ‘Jazz Clube’, com shows
em cafés,
restaurantes, bares, shoppings e teatros; o Fotografe o Jazz’,
concurso de fotos do
evento; ‘Novos talentos do jazz’,
concurso
de novas bandas para
participar do evento principal;
‘Planejando
o Savassi Festival’,
seminário de três dias sobre
a produção
do evento para
interessados; e o ‘jazzy’, um
concurso de DJs
que usam jazz
ou música instrumental.
No Rio de Janeiro, por
enquanto, além dos shows está
valendo apenas o concurso ‘Fotografe
o Jazz’. Porém, vários
artistas do Rio foram levados para tocar
nas outras cidades do
Savassi 2011 na categoria Novos
Talentos,
atitude comemorada
por Portinho.
“O intercâmbio cultural
foi da
melhor qualidade, você
conhece músicos do interior
de Minas, de
São Paulo. É uma
troca”, explica.
Golgher conta que a ideia de
ter
edições em outras cidades
tornou-se interessante este ano para que os artistas internacionais
realizassem mais de um
show no País. Para isso, foram fechadas
parcerias com instituições internacionais a fim de
financiar a
vinda desses artistas
e a realização das outras edições
do
festival.
Em Minas, são realizados
vários shows ao ar livre, o
que
atrai um público renovado para
o jazz.
“O público varia de acordo
com o
local das atividades. Em
praças e parques, o público é
composto
por famílias e idosos.
Em shoppings, o público é mais jovem. Na
verdade, a medida que o festival acontece, o público fica mais
jovem”, conta
Golgher.
O Rio não terá shows ao
ar livre,
mas Lipe Portinho
acredita que as apresentações
realizadas
conseguirão fazer
essa correlação.
“Eu acho que o público
jovem quer ouvir música boa, a
um preço acessível. Eu aposto
que
vai dar muito certo. Lá em
BH, tem a parte da rua que aqui
não
vai ter. A rua fica lotada, os
teatros também”, conta.
Sobre a organização do
festival,
Portinho é puro entusiasmo.
“O Bruno (Golgher) teve
uma ousadia
que nenhum
carioca ou fluminense teve.
Festivais sérios mostram
para
a gente que a música é importante e deve ser mantida no
primeiro plano. A música precisa
dessas iniciativas e ele está
nos
ensinado isso”, finaliza.
Programação:
Mark Lambert & Orquestra Rádio
Swing (EUA/Brasil) - hoje, às 21 horas, Teatro
Odisséia - O
cantor/guitarrista/
arranjador norte-americano Mark Lambert lidera a Orquestra Rádio
Swing, uma banda de
músicos brasileiros com dois
cantores, quatro
na cozinha,
baixo e bateria, e quatro sopros. O repertório vai de
Ray Charles a Tim Maia, passando
por James Brown e Sly & the
Family Stone.
Omri Mor Trio (Israel) -
hoje, às 21
horas, TribOz - O pianista israelense de 28 anos Omri
Mor estudou
música clássica e
atualmente se apresenta em festivais de jazz em
seu país e no
exterior. Já tocou com diversos
artistas, de
roqueiros a músicos
étnicos. O repertório de Omri
varia da
música clássica ao jazz,
passando por música latina e
afro-cubana.
Cliff Korman Ensemble
convida Billy
Drewes (EUA)
- 04 de agosto, amanhã, às 20
horas, Sala Baden
Powell – Cliff
Korman é pianista, compositor
e arranjador.
Educador e pesquisador de jazz, música brasileira,
e improvisação,
Korman gosta
de dizer que 25 anos de imersão
no universo musical
do Brasil
projetaram uma luz diferente
na maneira como ele vê o
jazz.
Quinteto TribOz (Austrália/Brasil) 04
de agosto,
amanhã, às 21h30, TribOz – O
Quinteto TribOz é
formado por
músicos residentes do clube de
jazz do TribOz, o
Centro Cultural Brasil-Austrália, fundado
e dirigido por Mike Ryan,
responsável por trompete/flugel,
percussão e voz no quinteto.
O
repertório é composto por
canções próprias do grupo
influenciadas por jazz e world
music.
Kevin Mahogany (EUA) – 05
de agosto,
sexta, às 20h, Sala Baden Powell - Kevin Mahogany é um cantor de
jazz de Kansas
City, no Missouri. Conseguiu
sucesso na década de
90, depois
de participar de vários grupos
na faculdade e em sua
cidade
natal na década de 80.
Scott Feiner & Pandeiro
Jazz
(EUA/Brasil) - 05 de agosto, sexta, às 21h30, TribOz – Scott
Feiner é um pandeirista norte-
-americano que inseriu o instrumento
no Jazz. Seu projeto,
Pandeiro Jazz, é uma mistura
do jazz com o
pandeiro brasileiro. Feiner conheceu o pandeiro
em uma visita ao
País em 1999
e se mudou para o Rio em 2001.
Yuri Popov (Brasil) – 06
de agosto,
sábado, às 20h, Sala
Baden Powell - Yuri Popov é
um
contrabaixista e compositor
mineiro. Iniciou sua carreira em 1975 na
Orquestra Sinfônica
de Campinas. Atuou também como professor de
baixo e
arranjo em Universidades. Já
trabalhou com artistas como
Nana Caymmi, Maria Bethânia,
João Donato, entre outros.
Nivaldo Ornelas (Brasil) -
06 de
agosto, sábado, às 21h30,
TribOz - Nivaldo Ornelas é um
reconhecido sideman. Já trabalhou com Gal Costa, Hermeto
Paschoal,
entre outros.
Matéria publicada em 03 de agosto de 2011 no jornal O Fluminense.
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