sábado, 10 de julho de 2010

Sebastião Salgado



Mineiro de Aymorés, formado em Economia e um dos grandes nomes da Fotografia. Sebastião Salgado é visto como o herdeiro de Henry Cartier-Bresson, suas fotos são sempre em preto-e-branco, mas o que é retratado por ele já é tão intenso que cores não fazem falta. Em todos os seus livros enxergamos uma critica ao sistema capitalista na forma aproximada que ele mostra os excluídos dos processos da globalização. E essa é a diferença do seu trabalho, a interação que ele cria com seus retratados, há uma troca de experiências e valores.



No vídeo O Espectro da Esperança (The Spectre of Hope) que fez parte do lançamento do ultimo livro de sua Trilogia, ele conversa com John Berger, um conhecido escritor inglês, sobre essas desigualdades que viu durante toda a sua carreira e como isso tem se acentuado, segundo ele as pessoas se acostumam até com a morte e estão perambulando pelas estradas sem nem saber o porque.

Confira um trecho de "Spectre of Hope: John Berger X Sebastião Salgado" de 2002.


Salgado largou a carreira de economista em 1973 e em 1979 ele já era da agência Magnum Photos, uma das melhores agências fotográficas do mundo, entre uma coisa e outra ele trabalhou como free lance para outras agencias européias. Em 1982 vieram os seus primeiros prêmios de fotografia, o Eugene Smith e o do Ministério da Cultura da França ambos por Melhor Fotografia Humanista. Depois desse vieram muitos outros. Em 1986 ele publicou o seu primeiro livro Outras Américas, sobre a América Latina reunindo fotos suas de 1977 a 1984, depois publicou Sahel (o trabalho de campo para essas fotos durou um ano e seis meses), sobre a seca no Norte da África.

Foi com Salgado que a fotografia (livros de fotografias e ampliações) se tornou um produto consumível não só pelos entendidos no assunto ou jornais, mas também por pessoas que simplesmente se comoveram com o trabalho. Salgado inaugurou o fenômeno da fotografia consumível, o problema é que ela entrou quase automaticamente no rol das fine arts, resumo o preço é bem salgado.

Depois do êxito que teve com trabalhos que levaram um tempo considerável para serem prontos, Sebastião Salgado resolveu investir ainda mais tempo para realizar os próximos trabalhos, foi assim nasceu a sua Trilogia: Trabalhadores, Terra e Êxodos.

Trabalhador de um Ferro velho, Bangladesh 1989
Trabalhadores: Uma Arqueologia da Era Industrial foi publicado em 1993, mas infelizmente no Brasil ele só achou editora em 1997. Esse trabalho foi de 1986 até 1992, percorrendo 23 países e retratando as dificuldades do trabalho manual pelo mundo. Foi um grande sucesso e definitivamente projetou o seu nome aos dos grandes fotógrafos da historia. Em 1994 criou uma agência só para gerenciar sua carreira, a Amazonas Images na qual ele é o único fotografo e quem dirige a empresa é sua esposa Lélia.


Movimento Sem-Terra, Brasil.

Terra de 1997 é praticamente um trabalho extra que consiste numa compilação de fotos de seu arquivo com fotos tiradas depois do massacre de El dourado dos Carajás em 1996 no qual 19 sem-terras foram assassinados durante um confronto com a policia militar no sul do Pará. Esse livro só foi publicado por insistência de Lélia e foi seu primeiro publicado no Brasil.

Refugiados Hutu ruandeses, Burundi, 1995

Retratos de Crianças no Êxodo.
Êxodos foi lançado em 2000 e teve um desdobramento: Retratos de Crianças no Êxodo. È talvez o mais impactante dos três, é uma documentação que levou exatamente de 1993 à 1999 percorrendo 43 países e retratando os movimentos de deslocamento das pessoas pela face da Terra, imigrantes ilegais na fronteira México-EUA, África-Europa e Ásia-Europa, o êxodo rural rumo as megalópoles e os refugiados de conflitos.

Segundo próprio Salgado diz no vídeo, o que ele deseja com seu trabalho não é despertar a compaixão do publico e sim abrir as discussões para se encontrar uma solução para esses problemas. Como crescer sem esmagar os que já são pequenos? Esse é um desafio e tanto, pena que os que crêem no Capitalismo como única lógica econômica viável parecem não ter vontade de refletir sobre como os outros vão indo nesse mundo. Verdade seja dita, quem parece refletir, não parece agir muito. E entre os discursos, muitas dessas pessoas morrem antes mesmo do resto do mundo saber de sua existência.

Trabalho apresentado em 2010.1 na disciplina Introdução ao Fotojornalismo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário