domingo, 14 de outubro de 2012

Só dá lixo nas redes de pesca em praia da Região Oceânica de Niterói


Cerca de 60 famílias que dependem da pesca em Itaipu, na Região Oceânica de Niterói, não sabem como vão sobreviver. Nos últimos dias, com o mar revolto por causa da frente fria que atinge o estado do Rio, ao jogar as redes ao mar os pescadores trouxeram ao invés de peixes, toneladas de lixo.

“Faz duas semanas que eu não conseguia trabalhar e agora nessa eu tive um prejuízo de quase R$ 6 mil. Eu não tenho de onde tirar dinheiro para comprar mais material de pesca, não é só a rede, tem o chumbo, as bóias. Nós precisamos de ajuda”, desabafa o pescador Anderson Machado de 41 anos.

Anderson conta que demorou cerca de três dias para retirar a rede de 1.200 metros do mar devido a quantidade de lixo. A situação é dramática e segundo os pescadores tem se intensificado nos últimos três anos. “Hoje a gente pega mais lixo do que peixe. Acaba que a gente pega o lixo antes de ele chegar na praia. É tanto lixo que os pescadores tem que jogar as redes fora e tentar aproveitar a corda para o prejuízo não ser total”, comenta Jorge Nunes de Souza, o “Seu Chico”, presidente da Associação dos Pescadores de Itaipu.

Segundo Aurivaldo José de Almeida, o “Barbudo”, um dos diretores da Colônia de Pescadores Z 7, que rege os pescadores de Niterói e Maricá, informou que a situação do lixo já foi denunciada ao Ministério Público. “Além do prejuízo das redes há outras profissões que deixam de trabalhar como quem limpa os peixes. esse lixo atinge do costão de Santa Cruz até Ponta Negra, em Maricá”, afirma.

Despejo - Os pescadores apontam que o problema do lixo se daria por conta de despejo de lixo na Baía de Guanabara próximo à ilha Pai e a ilha Rasa a uma profundidade de 25 metros. Além disso, eles acrediam que a dragagem dos portos do Rio de Janeiro e de Niterói também prejudicariam a pesca na região.

A subsecretaria de Desenvolvimento, Aquicultura e Pesca informa que a Marinha transmite um alerta para as colônias de pescadores , que avisam aos pescadores associados. Quanto a questão de subsídio aos pescadores, essa é uma prática do Ministério da Pesca a qual os pescadores podem ter acesso preenchendo os pré-requisitos exigidos pelo órgão.

Ainda segundo o órgão os pescadores interessados em receber essas orientações podem procurar a Subsecretaria de Desenvolvimento, Aquicultura e Pesca. Quanto à questão do despejo do lixo no mar,  o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) esclarece que não há nenhum trabalho de dragagem em andamento com despejo de resíduos nos últimos sete meses.

A mais recente ação de dragagem, realizada, no Canal do Fundão, utilizava um ponto de descarga 11,5 quilômetros a leste das Ilhas Cagarras, com monitoramento e acompanhamento por parte do Inea. Com relação ao lixo na Baía de Guanabara, o Inea esclarece que existem vários programas do governo estadual, realizados através da Secretaria Estadual do Ambiente e Inea, para a redução de resíduos, como as ecobarreiras, que retém o lixo jogado nos rios que deságuam na Baía, e o programa de substituição dos antigos lixões por aterros sanitários licenciados.

O Inea também esclarece que o mais recente boletim de balneabilidade da praia de Itaipu, datado de 10 de julho, aponta a praia como recomendada para o banho. O Ministério Público foi procurado mas até o fechamento dessa edição não havia enviado resposta.

Matéria publicada em 13 de julho de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.

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