domingo, 14 de outubro de 2012

Trabalhadores da indústria metalúrgica entram em greve. Duas pessoas foram detidas durante manifestação


No primeiro dia de greve, os metalúrgicos de Niterói fizeram nesta quinta-feira, uma grande manifestação com cerca de duas mil pessoas pelo Centro de Niterói com direito a momentos de muita tensão como desacato à polícia com paus e pedras e gás de pimenta. Os trabalhadores realizaram passeata pelas avenidas Feliciano Sodré e Rio Branco para se concentrar na sede do sindicato, próximo à Prefeitura. Houve enfrentamento entre os operários. Três homens chegaram a ser detidos por desacato à autoridade e foram logo liberados. Hoje estão marcados novos piquetes nas portas dos estaleiros e uma assembleia na sede do sindicato, no Centro. 

Os trabalhadores estão descontentes com a direção do sindicato e decidiram, na noite de quarta-feira, entrar em greve por tempo indeterminado. Segundo a direção do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico dos municípios de Niterói e Itaboraí (Simmerj), em negociações com o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore, já havia sido obtido um aumento salarial de 7,5 %. Porém as reivindicações da categoria são o aumento salarial de 16%, aumento no valor do vale-refeição de R$ 140 para R$ 350, maior segurança no ambiente de trabalho, plano de saúde com descontos simbólicos em folha e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

No começo da manhã de ontem, os trabalhadores do Estaleiro STX fizeram uma manifestação em frente à sede da empresa, na Avenida do Contorno, no Barreto. Por volta das 8h, eles foram encontrar outros manifestantes dos estaleiros na Ponta da Areia, que se concentraram na Rua Barão do Amazonas. 

Juntos, eles seguiram em uma pista pela Avenida Feliciano Sodré, Avenida Rio Branco, Rua da Conceição, Visconde de Sepetiba até a Travessa Cadete Xavier Leal onde está localizada a sede do Simmerj. Policiais do 12º BPM (Niterói) e agentes da NitTrans acompanharam todo o trajeto dos manifestantes, que gritavam palavras de ordem com o auxílio de um carro de som. 

“O clima foi radicalizado porque o trabalhador não aguenta mais essa direção. Os trabalhadores não aceitaram esses 7,5%. Uma das coisas mais importantes que reivindicamos é sobre o Plano de Saúde, tem gente que além do valor que é descontado em folha paga mais R$ 200, R$ 300. O salário já está achatado e tendo que pagar coisas por fora fica ainda mais pesado”, declara Paulo de Carvalho, conhecido como Paulinho, membro do comando de greve.

Desacato à autoridade

Quando os manifestantes pararam em frente à sede do Sindicato dos Metalúrgicos, por volta das 10h, houve divergências entre os operários com direito a brigas e corre-corre. Três homens chegaram a ser detidos, dois por se envolver em uma briga e o terceiro por desacato à autoridade. Os manifestantes jogaram pedaços de pau e pedras na polícia quando perceberam que prisões haviam sido realizadas. Para conter os manifestantes, a PM utilizou gás de pimenta. 

Os trabalhadores acompanharam os PMs levando os detidos à 76ª DP (Centro), na Avenida Amaral Peixoto. Na chegada à delegacia, os manifestantes tentaram invadir o local e chegaram a jogar um objeto de vidro no prédio. Um dos detidos foi liberado rapidamente, porém os manifestantes gritavam que só deixariam o local quando um dos detidos, um metalúrgico do Estaleiro Mauá, fosse liberado. O terceiro detido é motorista do sindicato e teria desligado o sistema de som do carro usado no protesto, fato apontado como estopim de uma das brigas em frente à sede do Simmerj. O comando de greve reclamou de excesso policial. 

De acordo com o delegado titular da 76ª DP (Centro), Alexandre Leite, os três homens que foram detidos irão responder por desacato. O caso será encaminhado para o Juizado Especial Criminal.

Crise interna no sindicato

Uma das questões abordadas foi a suspensão das eleições para a direção do Sindicato dos Metalúrgicos. São três chapas concorrendo ao pleito, a 1, da atual gestão, a 2 de oposição, e a chapa 3, também de oposição e que comanda os protestos. As eleições deveriam ter sido no dia 10 de fevereiro. “Essa é uma luta justa. As eleições foram suspensas e esse grupo continua no poder. Temos que combater esse sindicato cheio de corrupção. Tem gente aí que tem sítio, carro, um patrimônio enorme que não condiz com o salário de um metalúrgico”, declara Maria de Lurdes Rodrigues, do comando de greve.

Os integrantes da atual gestão acusam os grevistas de usarem o movimento como ferramenta eleitoreira. “Se você observar, só tem bandeira do Sintuff e do PSTU. Eles trouxeram pessoas de outros segmentos, mas que são partidários a eles. Se houvesse intransigência do Patronal em negociar, tudo bem, mas não houve. O patronal tinha oferecido 7,5%, com chance de aumento, mas os trabalhadores recusaram. Isso é uma divergência política”, afirma Edson Carlos Rocha da Silva, secretário-geral do Simmerj. Segundo a diretoria do Simmerj, a manifestação de ontem motivou que o sindicato patronal interrompesse as negociações e buscasse a justiça do trabalho para resolver a questão. Hoje haverá piquete na portas dos estaleiros para impedir que haja expediente.

Trânsito caótico

A manifestação dos metalúrgicos deu um nó no trânsito da cidade. Desde os primeiros protestos na Avenida do Contorno, no Barreto, até o desfecho em frente à 76ª DP (Centro), na Avenida Amaral Peixoto, em que a pista chegou a ser totalmente fechada por cerca de 30 minutos. Segundo a NitTrans, os manifestantes tomaram pistas e complicaram o já emaranhado trânsito em Niterói. A retenção causada na Amaral Peixoto, no Centro, chegou à Avenida Roberto Silveira, na altura da Rua Presidente Backer, em Icaraí, na Zona Sul da Cidade.

A manifestação na Avenida do Contorno causou um grande engarrafamento. Quem vinha do Jardim Catarina, em São Gonçalo, em direção a Niterói, chegou a ficar duas horas no trânsito, quando o normal são 40 minutos. Os cerca de 2 mil operários dos estaleiros de Niterói ocuparam uma pista pela Avenida Feliciano Sodré e a via seletiva para ônibus na Avenida Rio Branco. A Rua da Conceição chegou a ser fechada por alguns minutos para que os operários chegassem até a Rua Visconde de Sepetiba, de onde seguiram até a Travessa Cadete Xavier Leal. 

Depois da confusão na sede e fechamento da Amaral Peixoto, os manifestantes ocuparam duas e depois uma faixa da via por mais de uma hora. A Avenida Amaral Peixoto só foi totalmente liberada por volta das 13h. 

Matéria publicada em 31 de maio de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.

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