Os mais recentes dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam um alarmante aumento no número de roubos a residência no primeiro semestre, em relação ao mesmo período do ano passado. Na área das delegacias de Icaraí (77ª DP) e Jurujuba (79ª DP), os índices ficaram mais altos 1.100% e 433%, respectivamente. As autoridades apontam que os dados correspondem ao primeiro trimestre do ano, antes de um pacote que reforçou a segurança em todo o estado.
“No dia 12 de abril nós recebemos um grande aporte. De lá para cá só tivemos cinco casos em Icaraí, sendo que em junho não teve nenhum e em toda a Niterói foram apenas quatro. Em princípio, em dados não oficiais, até 24 de julho nós registramos três casos. Sim, em março tivemos 33 casos na área do 12º BPM. Mas desde que recebemos esse aporte do governo os números caíram. Os números do primeiro trimestre são bem diferentes dos do segundo”, afirma o subcomandante do 12º BPM (Niterói), major Caetano.
No primeiro semestre de 2011 foram dois casos na área da 77ª DP (Icaraí) contra 22 em 2012, já na 79ª DP (Jurujuba) o número saiu de seis para 26 casos nesse ano.
O delegado titular da 77ª DP, Mário Silva, informou que desses casos, mais da metade já possuem a autoria esclarecida e os inquéritos concluídos ou em conclusão.
“Infelizmente nos não podemos colocar um policial na frente de cada residência da área, então eu peço que a população coopere. Não é responsabilizar as vítimas, mas há casos em que as pessoas deixaram portões, portas e janelas de casa abertas. As pessoas precisam tomar medidas de segurança para ajudar a polícia e aumentar a sensação de segurança”, afirma o delegado.
Insegurança – Muitos dos que já tiveram a sua casa invadida não conseguem superar o trauma e acabam vendendo as casas por não conseguir esquecer os momentos de terror.
Uma aposentada de 71 anos, moradora de São Francisco há mais de 50, vive amedrontada. Há poucas semanas uma mulher chamou em seu portão e pediu um copo de água. Ao levar, ela percebeu que passaram a ser três mulheres e que elas queriam invadir a residência. Para sua sorte, nessa hora chegou uma filha sua e elas se assustaram com a movimentação e fugiram.
“É um absurdo. Agora eu vivo trancada em casa, até na varanda a gente colocou grades. Não fico tranquila enquanto a minha filha não chega em casa. Ninguém aguenta viver assim”, comenta a idosa que preferiu não se identificar.
Outro morador da região compartilha da mesma opinião da idosa. “Não consigo me sentir mais seguro aqui. Tentaram invadir a minha casa, chegaram na varanda mas não conseguiram arrombar a porta, graças a Deus. Mas na minha rua várias casas já foram assaltadas, até carros já foram levados. Um vizinho só soube que a casa tinha sido invadida quando olhou as imagens das câmeras que instalou”, diz.
Ônus – Quem consegue mobilizar os vizinhos para contratar segurança particular não tem uma vida mais tranquila por isso. Além do preço do serviço, sempre há o temor que um funcionário descontente ou que seja ameaçado revele a bandidos a rotina de vários lares. “Não consigo mais viver em uma rua sem segurança própria. Aqui, das 27 casas, 15 contribuem”, comenta uma corretora de seguros de 49 anos, também moradora de São Francisco.
Dados – Para o professor de Direito Penal e Criminologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Daniel Andrés Raizman, o aumento dos registros de ocorrência está ligado a uma migração de criminosos do Rio de Janeiro para Niterói e regiões próximas.
“A partir das UPPs aconteceu uma mudança de estrutura e houve uma migração seja para outros morros e até outras cidades e estados. Porém, depois de se mudar, eles não podem viver do tráfico de drogas como antes e é por isso que o número de roubos aumenta. Isso é uma consequência. Falta uma política de inclusão social”, aponta.
A 79ª DP (Jurujuba) foi procurada, mas a equipe de reportagem não obteve resposta.
Matéria publicada em 29 de julho de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.
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