O Corredor Metropolitano da Alameda São Boaventura/Avenida Feliciano Sodré, no Fonseca, completa dois anos nesta terça-feira e o saldo para quem utiliza ônibus é positivo. Antes, um coletivo levava em média 40 minutos para cruzar todo o corredor, e agora o intervalo caiu pela metade. Pela via trafegam cerca de 200 mil pessoas por dia, nos horários de pico são em média 270 ônibus e 1.830 veículos por hora.
As obras começaram no final de 2007, representaram investimentos de R$ 6,9 milhões e geraram cerca de 200 empregos diretos e indiretos. Em 2010, primeiro ano do sistema, o número de acidentes na via aumentou 14,6% em relação a 2009. A NitTrans, órgão de trânsito municipal, atribui o fato à maior fluidez do trânsito. Segundo o órgão, os números de 2011 estão sendo processados, mas foi confirmado que a desobediência à sinalização continuou gerando acidentes.
“Melhorou na parte dos ônibus, carro ficou engarrafado um pouco. Como pedestre ficou melhor, é só obedecer as faixas, não tem problema. O trânsito está parado para carro, mas quando as pessoas tentam atravessar fora da faixa, esquecem que tem a seletiva dos ônibus e acontecem os acidentes”, diz a moradora Maria de Freitas.
A obra é uma parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado. O corredor viário contempla toda a Alameda São Boaventura (3,5 quilômetros), Avenida Feliciano Sodré, Rua Saldanha Marinho, Rua Manuel Pacheco de Carvalho e a Praça Renascença, na confluência da Avenida Feliciano Sodré com Avenida Jansen de Mello. A NitTrans informa que mantém 12 radares de controle de invasão de faixas ao longo do Corredor.
“O pecado foi ter tirado as árvores. Mas o fluxo ficou melhor, não tem como negar. Os ônibus ficavam perto da garagem do prédio, tinha que esperar às vezes até 20 minutos para sair de carro. O fluxo ainda está muito grande, mas tem também a saída da ponte, né...”, comenta Elisete Mota, aposentada de 55 anos, 17 como moradora do Fonseca.
Para o presidente da Associação de Moradores, Comerciantes e Amigos do Bairro Chic, (Amobac), Márcio Grossi, o corredor viário divide opiniões.
“Existem dois lados, para quem usa o transporte público melhorou bastante, agora quem usa carro de passeio tem muita reclamação. Antes tinha um horário de rush, manhã e início da noite nos dias úteis. Agora, às vezes sábado à noite a Alameda está com fluxo intenso e retenção”, comenta.
Alternativas - Segundo o engenheiro e livre docente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Fernando MacDowell, o país deve investir em meios que não retirem uma faixa das vias, mas sim que criem alternativas.
“Quando se retira a faixa, semelhante ao que acontece na Avenida Brasil, às vezes a via pode ficar ociosa enquanto as outras ficam congestionadas”, pondera.
Para MacDowell, uma solução para o trânsito na cidade seria o investimento em meios transportes de média capacidade, que podem levar em média 20 mil pessoas por hora. “Um corredor viário desse tipo, igual ao BRT, é um sistema de transporte de baixa capacidade, costuma levar 4 mil pessoas por hora”, comenta.
MacDowell reforça que é preciso aplicar a tecnologia correta para cada tipo de corredor. “A pessoa não vai parar de usar o carro enquanto não tiver um meio de transporte rápido e eficiente’’, diz ele.
Mão Única - Agentes da NitTrans e da Subsecretaria de Trânsito vão monitorar a Rua Desembargador Lima Castro, que a partir de hoje passará a funcionar em sentido único no trecho entre a Alameda São Boaventura e Travessa do Maia. A mudança é para melhorar a fluidez do trânsito e aumentar a segurança dos usuários.
Matéria publicada em 19 de março de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.
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