
Henri Cartier-Bresson é considerado o fotografo mais importante da História. Francês de família tradicional e rica faleceu em 2005 com 96 anos. Renegando essa carga abastada familiar era comunista e após um trabalho fotográfico de um ano na Costa do Marfim (o seu debute nesse universo), foi contratado para documentar a Guerra Civil Espanhola pelo Partido Comunista Francês. Após o termino desse conflito começou a Segunda Guerra Mundial, foi mandado para um campo de concentração depois de fotografar massivamente as tropas nazistas. Fugiu três vezes e foi recapturado duas. Depois disso se uniu a Resistência Francesa, ajudando refugiados e documentou a libertação de Paris no fim da guerra.
Cartier-Bresson dizia que Fotografia era por na mesma linha de mira: o olho, a cabeça e o coração. Fazer com que razão e emoção entrassem em comunhão e orientassem o olhar para escolher o melhor recorte e o melhor momento para realizar a Fotografia. Para entendê-lo temos que olhar para três eixos também: sua trajetória de vida, suas fotos e o seu modo peculiar de ser. E é nesse modo peculiar de ser que mora todo o mérito do documentário Ponto de Interrogação (Point d’Interrogation) dirigido por Sarah Moon em 1994. Sempre foi tão difícil fazer com que ele desse declarações e se deixasse filmar e fotografar que nada mais coerente do que realizar um documentário basicamente consistido de declarações e imagens suas
Bresson era extremamente avesso a fama (em trechos do documentário ele diz: ‘’Degas disse que é ótimo ser famoso... com a condição de ser desconhecido... ’’ e ‘’Se sou mordaz... não é contra a fotografia... mas fico feliz se faço o que me diverte... ou interessa às pessoas. Mas a fama é terrível. Terrível! Ficamos acorrentados a ela. Se sou mordaz, é contra isto. ’’. Não gostava de ser fotografado (“Não gosto que façam comigo o que eu faço com os outros”). E extremamente discreto sobre sua vida pessoal (’A intimidade é algo secreto. Nada de confidências, não é da conta de ninguém. ’). Isso deve ter dado um nó na cabeça da mídia por anos, alguém tão arredio a essa estrutura só poderia ser um gênio. E era!
As fotos de Bresson são seu legado. Sua vida profissional foi de 1928 a 1973 (depois disso ele voltou a paixão da infância e juventude: a pintura), e assim ele é tido como o fotografo mais importante do Fotojornalismo. Seu modo operante era baseado em imersão, ensaios mergulhados na cultura de um determinado país por meses. Foi assim desde o seu primeiro trabalho na Costa do Marfim. E com essas pautas próprias ele às vezes estava no lugar certo na hora certa, como em 1948 na morte de Gandhi ele já estava na Índia.
Em 1947 criou a Magnum Photos, uma das melhores agencias fotográficas da História, junto com ninguém menos do que Robert Capa, Bill Vandivert, David “Chin” Seymor e George Rodger. A Magnum foi pioneira em exigir créditos nas fotos publicadas e uma tabela mínima de preços. Funciona até hoje e no site oficial é possível ver o portfólio de Cartier-Bresson.
Não tem como falar de Cartier-Bresson sem falar da expressão momento decisivo. Expressão cunhada ao acaso por um editor inglês para o titulo do seu primeiro livro fotográfico que a tradução não tinha nada a ver com isso. Uma excelente explicação para o momento decisivo está em uma das falas de Bresson no documentário: ‘’É preciso esquecer-se, esquecer a máquina... estar vivo e olhar. É o único meio de expressão do instante. E para mim só o instante importa... e é por isto que adoro , não diria a fotografia....mas a reportagem fotográfica, ou seja, estar presente, participar, testemunhar, com a alegria da composição e evitar a anedota. Ao mesmo tempo, não podemos ficar esperando pela grande fotografia. Há muito o que descartar. É um presente que lhe é oferecido, mas é uma ação do acaso e é preciso tirar proveito dele... ele existe. É a vida, e ao mesmo tempo, a morte... porque desaparece, acaba. Há algo de mórbido na fotografia. Não é raro uma foto que possamos olhar por mais de um instante que passe uma emoção.’’
Cartier-Bresson era excêntrico por natureza. Todas as decisões que tomou na vida deixaram imensos pontos de interrogações na cabeça das pessoas. “Para mim há sempre pontos de interrogação por todo o lado. A única coisa interessante são as perguntas, não as respostas.Saber do que se trata. É sempre este o problema. Do que se trata ? O que é ? Por quê ?’’. Talvez sua maior vitoria pessoal era transferir um pouco desse questionamento para o publico. Mais uma forma de excentricidade, mas os gênios têm licença poética (e às vezes praticamente um dever) para ser excêntricos.
Trabalho apresentado em 2010.1 na disciplina Introdução ao Fotojornalismo.
Trabalho apresentado em 2010.1 na disciplina Introdução ao Fotojornalismo.
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