domingo, 14 de outubro de 2012

Incêndio no Hospital Universitário Pedro Ernesto deixa paciente morto


O incêndio que atingiu na manhã de quarta-feira no Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, provocou a morte de uma idosa. As chamas teriam começado por volta das 5h30 no almoxarifado, que fica num prédio anexo. A fumaça atingiu cinco andares e fechou seis enfermarias.

Onze pessoas, sete crianças e quatro adultos, precisaram ser transferidas para outras unidades. O hospital pertence à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Não houve feridos. A reitoria da universidade estima prejuízo de R$ 5 milhões. 


A previsão é que o ambulatório tenha o atendimento normalizado na próxima sexta-feira. Até lá a Policlínica Piquet Carneiro, pertencente à Uerj, está de sobreaviso e um alerta e um hospital de campanha foi oferecido pela Secretária Estadual de Saúde. O reitor da Uerj, Ricardo Vieiralves, em coletiva de imprensa no final da manhã, afirmou que o diretor da unidade tinha autorização para adquirir todas as matérias necessárias, ao mesmo tempo em que a Secretaria Estadual de Saúde também auxiliaria a unidade.

A paciente que faleceu, Edenir Pereira, de 65 anos, estava internada em estado terminal com fibrose pulmonar e teria inalado fumaça. Segundo o diretor da unidade, Rodolfo Acatalassu, ainda não é possível saber se a inalação de fumaça contribuiu para a morte da paciente. Só a autopsia poderá confirmar. A confirmação do óbito veio do governador Sérgio Cabral, que esteve no local.

“Infelizmente, tivemos o óbito de uma pessoa que estava numa fase muito difícil. Evidentemente, a fumaça contribuiu para o óbito acontecer”, declarou o governador, que garantiu ao reitor liberdade orçamentária para recuperar a unidade.

O Hupe não possui emergência. Ao todo, o hospital abrigava cerca de 320 pacientes, e pelo menos 50 deles foram remanejados para outras enfermarias. As consultas marcadas foram canceladas e as remarcações estão previstas para começar hoje.

Cerca de 100 bombeiros de diversos quartéis da região participaram do combate às chamas. “Foi um trabalho muito positivo, mas por causa do material teve muita fumaça. Os atendimentos foram mais por causa do stress. O incêndio ficou contido no almoxarifado, a questão foi o pânico que se instalou no hospital”, comentou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões.

A fuligem causada pelas chamas atingiu seis enfermarias: a neurologia no segundo andar, nefrologia e hemodiálise no terceiro, cirurgia plástica, torácica e oftalmologia feminina no quarto e ortopedia, no quinto. Alguns pacientes tiveram que sair do prédio com o auxílio de uma escada magirus, do Corpo de Bombeiros. 

Os adultos transferidos estavam no setor de hematologia e foram encaminhados para o Hemorio. 

Do lado de fora, familiares apreensivos

Assim que surgiram as primeiras notícias sobre o incêndio no Hospital Pedro Ernesto uma grande quantidade de pessoas se aglomerou na porta da unidade para tentar saber de familiares e de como seriam feitos os atendimentos à população nos próximos dias. “É muito desconfortável. Vim correndo de Petrópolis. Minha mulher está acompanhando o nosso filho que está com câncer. Ela me ligou chorando”, disse o motorista Rogério Mendes, pai de um paciente de 11 anos. 

Primeiramente, apenas funcionários foram autorizados pelos bombeiros e pela polícia a entrar no hospital. Depois, ainda pela manhã, familiares de pacientes internados no hospital foram liberados a entrar para a visitação. 

“Um primo me ligou e eu vim de trem, moro em Nova Iguaçu. Me disseram que o meu irmão está bem, mas eu só vou me tranquilizar totalmente depois que eu ver ele”, afirmou a auxiliar de serviços gerais, Hilda Moreira.

O hospital havia passado por reforma recentemente, ainda segundo a reitoria foram investidos R$ 50 milhões em obras e equipamentos na unidade nos últimos quatro anos.

Matéria publicada em 04 de julho de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.

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