sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Segundo dia de desfiles termina com várias favoritas ao título no Rio


* Cobertura realizada em conjunto com Ricardo Rigel, Luana Souza, Flávio Oliveira, Luana Dias, e Lívia Neder 

Em uma noite mais rica do que a de domingo, inclusive com uma maior participação e presença do público desde o início dos desfiles, as escolas que se apresentaram nesta segunda-feira mostraram um nível mais elevado nos sambas, alegorias e fantasias, mostrando que esse deve ser um dos carnavais mais equilibrados de todos os tempos.


Até mesmo a variedade dos enredos ajudou a dar brilho a festa - no domingo duas agremiações desfilaram falando da Bahia -, que contou também com um grande número de artistas e famosos curtindo a festa nos camarotes da Sapucaí.

Se a Vila Isabel, Beija-Flor e a Portela se destacaram no primeiro dia de desfiles, praticamente todas as escolas desta segunda-feira podem ser consideradas - umas mais que as outras - favoritas. União da Ilha e São Clemente, que contou a história dos musicais, fizeram ótimos desfiles, assim como a popular Mangueira, que sempre conta com uma grande torcida pela sua vitória.

Talvez, os momentos menos inspirados e empolgantes tenham sido protagonizados pela Unidos da Tijuca e pelo Salgueiro. As duas escolas sofreram com o gigantismo dos carros e alguma repetição na maneira de interpretar e desenvolver os enredos. Mesmo assim, seus desfiles ficaram longe de serem fracos.

Agora só resta aguardar a decisão dos jurados na quarta-feira.

Os desfiles

O segundo dia de desfiles do Grupo Especial foi aberto pela São Clemente. A escola de Botafogo levou para a Passarela do Samba o enredo "Uma aventura musical na Sapucaí", que contou a história dos musicais como "O Fantasma da Ópera" e "A Noviça Rebelde". Um dos destaques foi uma paradinha da bateria onde foi ouvido um solo de violino ao invés dos tradicionais instrumentos de percussão.

O Setor 1 da arquibancada, muito mais cheia do que no domingo, aplaudiu muito a entrada da escola na Avenida, principalmente o carro abre alas, o Teatro Musical. A escola também apresentou fantasias luxuosas e alegorias bem acabadas, mostrando que pode surpreender as favoritas ao título.

Em um dos carros da ala Sassaricando na Praça Tiradentes, desfilou o jornalista Sérgio Cabral, historiador do Carnaval e pai do governador do estado.

"Estou muito feliz em defender as cores da São Clemente. Essa é a quarta vez que desfilo pela escola e espero que façamos um grande Carnaval, Essa nova estrutura do Sambódromo ajudou a interação com o público, que cantou bem mais", disse Cabral.

O carnavalesco da escola, Fábio Ricardo, disse que foi para o Sambódromo para se divertir.

"Minha função é trazer alegria para a Avenida através das cores. Também quero trazer o gigantismo usando alegorias infláveis, uma novidade nos desfiles do Rio".

A coreógrafa Cláudia Mota, responsável pela Comissão de Frente, estava satisfeita após desfilar.

"Acho que conseguimos transmitir a nossa mensagem. Fizemos um desfile lúdico e que contagiou".

Ilha

A segunda escola a desfilar, a União da Ilha do Governador, levou Londres para a Marquês de Sapucaí, com o enredo "De Londres ao Rio: Era uma vez... uma Ilha", contando a história da capital inglesa e do Reino Unido, que é a pátria dos Beatles, fazendo uma analogia entre as ilhas britânicas e a Ilha do Governador.

Assim como aconteceu com a São Clemente, uma das maiores apostas da escola estava na bateria, que teve um solo de guitarra executado por um músico da comunidade durante uma das paradinhas. Desfilaram pela escola o cônsul e embaixadores da Inglaterra, além de celebridades como a atriz Deborah Seco, que veio na ala da diretoria, e seu namorado, o jogador Roger.

"A Ilha é minha escola de coração e espero voltar com tudo no desfile das campeãs", disse a intérprete de Bruna Surfistinha.

Na comissão de frente, estiveram lado a lado Maria Augusta, ex-carnavalesca da escola, e o sempre alegre gari Renato Sorriso, um dos personagens mais conhecidos dos desfiles.

Com alas representando o chá das cinco e até mesmo o Submarino Amarelo, em uma clara alusão aos Beatles, a União da Ilha fez um desfile alegre e que impressionou. Porém, ao chegar na dispersão, foram feitos inúmeros atendimentos aos componentes por causa do calor, das fantasias pesadas e tintas usadas para colorir a pele dos passistas.Porém, esses problemas não devem influir na nota dos jurados

Salgueiro

O Salgueiro, nove vezes campeã do Carnaval, fez seu desfile sem maiores problemas, apesar da tensão com a dificuldade de alguns carros em entrar na Avenida. A escola da Tijuca falou sobre a literatura de cordel, com o enredo "Cordel Branco e Encarnado".

Os dois primeiros carros da escola, muito grandes, tiveram problemas para sair da concentração e entrar na Avenida, fazendo com que algumas alas da escola se espalhassem no início do desfile, deixando vários componentes e membros da diretoria preocupados, lembrando da perda de pontos do ano passado.

Viviane Araújo, Rainha de Bateria da escola pelo quinto ano, se mostrava nervosa na concentração da escola e passou mal ao chegar ao segundo recuo da bateria.

"Mesmo sendo minha quinta vez, ainda dá aquele friozinho na barriga", afirmou antes de entrar na Sapucaí.

Mangueira

A Estação Primeira de Mangueira, quarta escola da noite, veio para o Carnaval 2012 com o enredo "Vou festejar! Sou Cacique, sou Mangueira", contando a história dos 50 anos do bloco Cacique de Ramos, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro. Sempre apoiada por uma enorme torcida, a escola foi aplaudida por todos os setores das arquibancadas e pelo público dos camarotes.

Assim como nas escolas anteriores, a bateria mereceu destaque fazendo uma paradinha longa o suficiente para que a os passistas e torcedores cantassem o samba inteiro sem a intervenção do batuque dos ritmistas. A novidade impressionou, mas pode não ser bem avaliada pelos jurados dos quesitos bateria e harmonia.

Na concentração da escola também houve um momento de tensão quando o carro abre alas começou a soltar fumaça e os Bombeiros foram chamados para verificar se havia algum incêndio na alegoria.

Tijuca

A Unidos da Tijuca, do celebrado carnavalesco Paulo Barros, fez seu desfile com o enredo "O dia em que toda a realeza desembarcou na Avenida para coroar o rei Luiz do Sertão", uma homenagem ao 'rei do baião' Luiz Gonzaga.

Logo no início do desfile uma grande nuvem de fumaça foi jogada na Sapucaí por um dos carros alegóricos da Unidos da Tijuca, causando um belo efeito na Avenida, mas deixando muita gente com os olhos irritados e com dificuldade para respirar.

Apesar de toda a expectativa criada por mais um desfile inovador criado por Paulo Barros, a Tijuca faz uma apresentação morna, prejudicada também por um samba que não empolgou as arquibancadas, apesar das várias coreografias, marca registrada do carnavalesco.

Grande Rio

A Grande Rio encerrou os desfiles do Grupo Especial com o enredo "Eu acredito em você. E você?", que fala de superação, sendo que ela mesmo é um exemplo, já que um incêndio oraticamente destruiu todos os carros e fantasias do Carnaval no ano passado.

Um dos destaques foi a presença do maestro João Carlos Martins, que, após ser agredido em um assalto, perdeu o movimento das mãos e precisou de anos de fisioterapia para poder recuperar parcialmente. Martins já foi enredo da escola Vai-Vai, no Carnaval paulista. Outra presença muito festejada pelo público foi a do velejador Lars Grael, que perdeu uma perna em um acidente.

Recheada de artistas, como Arlete Sales e Cristiane Torloni, que vieram no abre alas, e Suzana Vieira, que desfilou no chão,a Grande Rio prende a atenção do público com a sua comissão de frente, que mostra brincadeiras de criança e também conta com participações de atores do programa Zorra Total.

Matéria publicada em 21 de agosto de 2012 no Jornal O Fluminense, disponível no site.

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