domingo, 7 de abril de 2013

BRICs discutem impactos e legado dos grandes jogos



Como aproveitar os investimentos atraídos por grandes eventos esportivos e qual a capacidade real de legado social e econômico que acontecimentos como uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada podem gerar. Esses foram questionamentos dentro do encontro “Megaeventos esportivos. Como avaliar? Conhecendo a experiência dos Brics na realização de megaeventos” realizado nos dias 07 e 08 de dezembro na sede do Centro de Estudos e Pesquisas-Brics, em Botafogo. Do encontro deve ser produzida uma publicação, em formato de livro, sobre os estudos e debates realizados. 

O bloco chamado Brics é composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A abertura do encontro foi presidida por Paulo Esteves, supervisor do Centro de Estudos e Pesquisas – Brics e contou com as presenças de Eduarda La Rocque, presidente do Instituto Pereira Passos (IPP); Marcelo Cortes Neri, presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e Luis Manuel Fernandes, secretário executivo do Ministério dos Esportes.
“O Instituto Pereira Passos trabalha com três posicionamentos: Informação, Planejamento e Prática. Para o planejamento desses megaeventos será necessário uma grande quantidade de dados e é aí que o IPP entra. O que queremos é que o Instituto seja um exemplo internacional no âmbito de políticas públicas”, comentou a presidente do Instituto Pereira Passos, Eduarda La Rocque.

Na primeira mesa do encontro “Os Brics e os Megaeventos Esportivos” foi proposto debater as vantagens de sediar ou não esses grandes eventos e qual a relevância política e econômica destes para os países Brics.

O legado econômico dos Megaeventos

O professor Victor Matheson do Departamento de Economia e Contabilidade da College os Holy Cross, nos Estados Unidos, frisou que há muitas vantagens em sediar esses Megaeventos, mas que não dá para enriquecer, já que os investimentos em infraestrutura, tanto das cidades quanto dos bens das modalidades esportivas (como os estádios) são muito altos.

Além disso, Matheson mostrou que os economistas em geral não confiam muito nos dados publicados pelos países sobre os impactos que esses Megaeventos geram por certos motivos, entre eles a possibilidade de exagero ou fraude nos números e um efeito de substituição, pois os moradores também vão assistir às competições.

E sobre o legado no quesito do número de visitantes futuros o professor separou as cidades em três categorias: as que já são importantes no turismo (como Londres e Paris); as que possuem poucos atrativos (como as cidades que sediam os Jogos Olímpicos de Inverno) e as cidades que possuem capacidade ainda não explorada de potencial turístico (como Barcelona, que depois de sediar uma Olimpíada se tornou no quarto destino turístico na Europa). Segundo o professor, o Rio estaria entre as cidades do primeiro e do terceiro tipo.

Em seguida foi a vez de Paulo Esteves, supervisor do Centro de Estudos e Pesquisas – Brics, que falou sobre as características desses países em especial. Para ele os Megaeventos são grandes oportunidades para melhorar as infraestruturas, pois através deles há uma maior facilidade de atrair investimentos para demandas antigas.

“Sediar Megaeventos é positivo porque esses eventos são atrativos. Há resoluções no campo da informação e da comunicação, geração de receita através dos direitos de transmissão. E principalmente marcar esses locais como “Global Cities”, cidades atrativas e fortes política e economicamente. “Players” relevantes na política internacional”, comentou Esteves.

Ainda segundo ele, os Brics possuem grande capacidade de, através da relação Estado e Mercado, mobilizar recursos para a promoção desses eventos e de bens públicos, bens esses que até pouco tempo não conseguiam atrair os investimentos necessários para sair do papel.

Entre os temas de outras mesas estiveram as experiências da África do Sul ao sediar a Copa do Mundo de 2010 e da China com as Olimpíadas de 2008. Além das avaliações do legado e do impacto desses eventos para os Brics.

Matéria publicada em dezembro de 2012 no site do Instituto Pereira Passos.

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