Como aproveitar os investimentos atraídos por
grandes eventos esportivos e qual a capacidade real de legado social e
econômico que acontecimentos como uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada
podem gerar. Esses foram questionamentos dentro do encontro “Megaeventos
esportivos. Como avaliar? Conhecendo a experiência dos Brics na
realização de megaeventos” realizado nos dias 07 e 08 de dezembro na
sede do Centro de Estudos e Pesquisas-Brics, em Botafogo. Do encontro
deve ser produzida uma publicação, em formato de livro, sobre os estudos
e debates realizados.
O bloco chamado Brics é composto por Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul. A abertura do encontro foi presidida por Paulo Esteves,
supervisor do Centro de Estudos e Pesquisas – Brics e contou com as
presenças de Eduarda La Rocque, presidente do Instituto Pereira Passos
(IPP); Marcelo Cortes Neri, presidente do Instituto de Pesquisas
Econômicas Aplicadas (IPEA) e Luis Manuel Fernandes, secretário
executivo do Ministério dos Esportes.
Na primeira mesa do encontro “Os Brics e os Megaeventos Esportivos”
foi proposto debater as vantagens de sediar ou não esses grandes eventos
e qual a relevância política e econômica destes para os países Brics.
O legado econômico dos Megaeventos
O professor Victor Matheson do Departamento de Economia e
Contabilidade da College os Holy Cross, nos Estados Unidos, frisou que
há muitas vantagens em sediar esses Megaeventos, mas que não dá para
enriquecer, já que os investimentos em infraestrutura, tanto das cidades
quanto dos bens das modalidades esportivas (como os estádios) são muito
altos.
Além disso, Matheson mostrou que os economistas em geral não confiam
muito nos dados publicados pelos países sobre os impactos que esses
Megaeventos geram por certos motivos, entre eles a possibilidade de
exagero ou fraude nos números e um efeito de substituição, pois os
moradores também vão assistir às competições.
E sobre o legado no quesito do número de visitantes futuros o
professor separou as cidades em três categorias: as que já são
importantes no turismo (como Londres e Paris); as que possuem poucos
atrativos (como as cidades que sediam os Jogos Olímpicos de Inverno) e
as cidades que possuem capacidade ainda não explorada de potencial
turístico (como Barcelona, que depois de sediar uma Olimpíada se tornou
no quarto destino turístico na Europa). Segundo o professor, o Rio
estaria entre as cidades do primeiro e do terceiro tipo.
Em seguida foi a vez de Paulo Esteves, supervisor do Centro de
Estudos e Pesquisas – Brics, que falou sobre as características desses
países em especial. Para ele os Megaeventos são grandes oportunidades
para melhorar as infraestruturas, pois através deles há uma maior
facilidade de atrair investimentos para demandas antigas.
“Sediar Megaeventos é positivo porque esses eventos são atrativos. Há
resoluções no campo da informação e da comunicação, geração de receita
através dos direitos de transmissão. E principalmente marcar esses
locais como “Global Cities”, cidades atrativas e fortes política e
economicamente. “Players” relevantes na política internacional”,
comentou Esteves.
Ainda segundo ele, os Brics possuem grande capacidade de, através da
relação Estado e Mercado, mobilizar recursos para a promoção desses
eventos e de bens públicos, bens esses que até pouco tempo não
conseguiam atrair os investimentos necessários para sair do papel.
Entre os temas de outras mesas estiveram as experiências da África do
Sul ao sediar a Copa do Mundo de 2010 e da China com as Olimpíadas de
2008. Além das avaliações do legado e do impacto desses eventos para os
Brics.
Matéria publicada em dezembro de 2012 no site do Instituto Pereira Passos.
Matéria publicada em dezembro de 2012 no site do Instituto Pereira Passos.
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