União para fazer a comunidade crescer. Essa foi a mensagem durante o aniversário de um ano do Banco Comunitário da Cidade de Deus, o primeiro do tipo na cidade do Rio de Janeiro, comemorado no último dia 25 de outubro na quadra da Escola de Samba Mocidade Unida da CDD. O Banco e a moeda social da comunidade foram inaugurados em 15 de setembro de 2011.
Ao término do encontro, que contou com palestras e troca de experiências entre os bancos comunitários do Rio e a população, foi lançada a Rede de Bancos Comunitários do Estado do Rio de Janeiro. Segundo dados apresentados pelo Núcleo de Economia Solidária da USP, há atualmente 25 bancos comunitários na região sudeste, cinco deles no Rio de Janeiro.
“Estamos comemorando um processo de reconstrução de laços de solidariedade na Cidade de Deus. Não é só o banco que está dando seus primeiros passos, mas a comunidade está em movimento de se valorizar. Há apoio de fora, o governo faz sua parte, mas a sociedade civil não está de braços cruzados”, afirma o secretário municipal Especial de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Costa.
O primeiro painel do encontro “De Palmas à Cidade de Deus” contou a experiência do Banco Palmas o primeiro banco comunitário no país, situado na comunidade das Palmeiras, em Fortaleza, no Ceará. Diogo Jamra Tsukumo do Núcleo de Economia Solidária da USP – (NESOL/USP) apresentou dados sobre a evolução da atividade no país. Segundo ele, em 2008 havia cerca de 30 bancos comunitários no Brasil. Hoje esse número passa dos 100.
“Os bancos comunitários vêm crescendo e foram as populações das perifeiras que criaram isso. O Banco Comunitário da Cidade de Deus fazendo um ano é muito importante, ele deve exercer uma liderança. Há muitos desafios e o Banco Comunitário da CDD deve ajudar os outros ao passar a sua experiência”, comentou Tsukumo.
Para discutir a importância que a moeda CDD possui dentro da comunidade e suas potencialidades, foram ouvidos comerciantes e usuários da moeda social. O CDD oferece várias vantagens para a população, como crédito para o consumo, em que cada morador pode tomar emprestado até 100 CDDs sem juros; crédito produtivo para beneficiários do Programa Bolsa Família, agentes da economia popular e para comerciantes; seguros de vida e atuação como correspondente bancário da Caixa na comunidade.
“Temos cerca de 180 comerciantes que aceitam o CDD, parece pouco, mas para o nosso movimento não é. A comunidade precisa estar com a gente. Quanto mais estabelecimentos aceitarem a moeda melhor vai ser. O processo é longo, mas o banco comunitário é uma ferramenta que veio nos fortalecer”, declara a presidente da Agência Cidade de Deus de Desenvolvimento, Ana Lúcia Serafim.
Integração entre os bancos para fortalecer as comunidades
Durante o evento, foi assinada uma carta aberta para a criação de uma rede de bancos comunitários do estado do Rio de Janeiro. Assinaram o documento, os bancos da comunidade do Morro do Preventório de Niterói (com a moeda Prevê), de Saracuruna (Saracura), Cidade de Deus (CDD) e o Complexo do Alemão, que está em mobilização para implantar essa modalidade de economia solidária. Assinaram também o secretário municipal Especial de Desenvolvimento Econômico Solidário, Marcelo Costa e o representante do Núcleo de Economia Solidária da USP – (NESOL/USP), Diogo Jamra Tsukumo. O Banco de Silva Jardim, com a moeda Capivari, não pôde comparecer ao encontro.
“Essa rede será muito importante para as comunidades que já possuem bancos comunitários e para as que querem implantar novos. Ela será muito importante para fortalecer o movimento da economia solidária e abrirá um importante canal para trocas de experiências. O Preventório é pequeno em comparação com a Cidade de Deus, mas é a maior comunidade de Niterói. Temos muito a contribuir uns com os outros”, comentou Marcos Rodrigo, presidente do Banco Comunitário do Morro do Preventório, em Niterói.
Depois da assinatura, um bolo foi cortado em homenagem aniversário de um ano do Banco Comunitário da Cidade de Deus. Entre os que participaram da comemoração estava Dona Benta, que estampa a nota de 5 CDDs. O projeto foi desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Solidário da Prefeitura do Rio (SEDES) com orientação da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES). O Banco Comunitário da CDD foi viabilizado por uma parceria com o BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil e com a consultoria do Banco Palmas, de Fortaleza (CE).
Matéria publicada no site da UPP Social em outubro de 2012.
Matéria publicada no site da UPP Social em outubro de 2012.
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